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Multishow exibe especial da cantora Alanis Morissette

Por Bruno Yutaka Saito | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

No mundo pop dos anos 90 não havia coisa mais tediosa do que a postura “rebelde, mas politicamente correta” de Alanis Morissette. Isso, que fique claro, entre os roqueiros “autênticos”, para os meninos viúvos de Kurt Cobain. Mas não era para esses que Alanis falava. Goste-se ou não, seu álbum “Jagged Little Pill”, lançado em 1995, vendeu mais de 20 milhões de cópias e tornou a cantora um modelo principalmente para as garotas - um fenômeno teen.

E é essa história que o “Multishow Especial” resgata hoje, às 21h45, ao celebrar os dez anos de lançamento do disco. Na verdade, o programa é apenas uma desculpa para vender o (desnecessário) disco que a cantora lançou no começo deste ano - uma regravação de “Jagged” em versão acústica. A retrospectiva de sua carreira vem, assim, em momento oportuno, já que os dias atuais são dominados pelos “filhotes” da já tia velha Alanis, como Avril Lavigne - que ilustra o “gênero” rock pseudorebelde para crianças-, quando se vislumbra um revival dos anos 90.

Visto hoje, conclui-se que não havia momento mais exato para Alanis, uma espécie de ex-Xuxa da TV canadense - fato que o especial deixa de lado. Em 1995 já se vislumbrava certo período de entressafra, uma vez que o pessimismo do grunge deixava um gosto amargo no cenário pop, e as mulheres do rock ficavam em guetos - Björk, Courtney Love etc.

Aos 19 anos, Alanis captava a sintonia neo-hippie da década, ao mesmo tempo em que falava o que as meninas pensavam - não tinha pudores, detonava ex-namorados, exalava espiritualidade. O programa mostra entrevistas com músicos, produtores e executivos que fizeram parte da explosão de “Jagged”, além de relembrar detalhes das gravações.

E dá-lhe declarações que elevam Alanis às alturas, que mais parecem o quadro “Arquivo Confidencial”, do Faustão. Aí o espírito juvenil começa a cheirar mal.

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