Foi aberto nesta semana o período de inscrições do Programa de Financiamento Estudantil (Fies), do governo federal, para o ano 2006. Ao todo, o Ministério da Educação (MEC) está disponibilizando 100 mil novas vagas em todo País, e as inscrições vão até o dia 28 deste mês. Na avaliação do economista Reinaldo Cafeo, a taxa anual de juros do Fies, de 9%, é atraente diante de outras opções do mercado.
De acordo com as regras do programa, o estudante terá direito ao financiamento de até 50% do valor do curso escolhido. O restante será pago pelo próprio aluno. Até o primeiro semestre deste ano, o programa financiava até 70% do valor pago à instituição de ensino superior em que o aluno beneficiado está matriculado. Após determinação do ministro da Educação, Fernando Haddad, a porcentagem foi reduzida para 50%.
Ainda de acordo com as regras, a cada três meses o aluno deverá pagar uma porcentagem dos juros. Ao término do curso, a taxa de juros anual será de 9% e deverá ser paga para a Caixa Econômica Federal (CEF) dentro do prazo estabelecido. O universitário tem até uma vez e meia a duração do curso para pagar o financiamento.
Antes de fazer a inscrição, pelo site http://fies.caixa.gov.br, o interessado deve ficar atento às características do financiamento oferecido pela CEF. O mais importante, de acordo com o economista Reinaldo Cafeo, é avaliar se o estudante tem condições de honrar o compromisso assumido.
“O estudante deve se perguntar se na pior das hipóteses, mantendo o emprego em que está e nas condições atuais de empregabilidade, ele ainda terá condições de honrar esse compromisso assumido”, recomenda o economista.
Uma eventual situação de “desvantagem” ou de dificuldade para o estudante pode estar justamente neste ponto, já que o contratante poderá se comprometer com um empréstimo que não conseguirá honrar. Por isso, o economista sugere muita cautela antes de se tomar a decisão.
“Por outro lado, olhando do ponto de vista estritamente financeiro, essa taxa de juros, de 9% ao ano, não é elevada para os padrões brasileiros, se considerarmos que este índice está pouco acima da remuneração da poupança, por exemplo. Ou seja, no Fies a pessoa paga uma taxa de juros bem abaixo do mercado”, analisa Cafeo.
Para o economista, o prazo de uma vez e meia do curso para pagar o empréstimo também é compatível com o mercado, levando em consideração que um curso universitário tem duração média de quatro anos. Isso significa que o estudante teria seis anos para quitar o financiamento com a CEF.
É importante também, recomenda Cafeo, que o interessado em fazer um curso de graduação esgote todas as possibilidades existentes antes de se decidir pelo financiamento, como por exemplo, o Programa Universidade para Todos (ProUni) e as bolsas de estudos. Além disso, deve verificar o potencial que a profissão escolhida terá no mercado de trabalho ao final do curso.
Em Bauru, das oito instituições de ensino superior, seis aderiram ao Fies neste ano. Atualmente o programa atende 400 estudantes na cidade. Em todo País, são 160 mil estudantes sendo atendidos pelo programa no momento, segundo dados do MEC.
Ainda de acordo com o MEC, têm preferência para serem contemplados no Fies estudantes que cursaram o ensino médio completo em escolas da rede pública, não têm curso superior completo, não têm residência própria e que têm mais de um membro da família sem bolsa de estudo em instituição de ensino superior privada. Bolsistas do ProUni foram contemplados em agosto e, portanto, não entram no cálculo das novas vagas.