Economia & Negócios

Bauru já sente efeito de aftosa no MS

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Empresários e pecuaristas de todo o País passaram o dia em estado de alerta ontem, depois da confirmação de 140 casos de aftosa (leia mais no texto abaixo) numa fazenda no município de Eldorado (MS). Diversos países já suspenderam a importação de carne brasileira. O Frigorífico Mondelli de Bauru informa que já tem duas cargas paradas à espera de novas diretrizes.

“Nós temos uma carga no navio e outra numa carreta na divisa do Estado com o Paraná. A Rússia, inclusive, já mandou um e-mail cancelando uma compra até que a situação seja esclarecida”, afirma o diretor de compras da empresa, Vangélio Mondelli.

Segundo o supervisor de Exportação do frigorífico, Antonio Mondelli Júnior, a empresa exporta 1,7 mil toneladas de carne por mês, somando cerca de R$ 8 milhões. “Por enquanto, não recebemos nenhum embargo. Mas é claro que ficamos com receio de embarcar novas cargas. Temos que aguardar uma posição mais firme do mercado”, pondera.

Na opinião do presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, ainda é cedo para avaliar com certeza as repercussões da aftosa no Mato Grosso do Sul. Ele defende que os rumos da exportação de carne no Brasil dependem muito de como as autoridades vão lidar com a situação.

“O risco maior é que os importadores embarguem toda e qualquer exportação brasileira, o que valeria pelo menos pelos próximos dois ou três anos. No entanto, se eles tiverem segurança de que a doença ficou restrita àquele foco e optarem por embargar somente a carne produzida no MS, isso pode até mesmo fortalecer a exportação dos outros Estados. Temos que esperar novas posições nos próximos dias”, compara.

Lima Verde salienta que o Brasil é o maior exportador de carne do mundo, movimentando cerca de US$ 3 bilhões por ano. Estima-se que o País tenha pelo menos 200 milhões de cabeças de gado atualmente. “A carne é o segundo produto no ranking das exportações nacionais, atrás somente da soja. Se o mercado lá fora não comprar mais carne do Brasil, teremos um problema muito sério”, prevê.

De acordo médico veterinário Mauro Braga Mello, diretor do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, autoridades sanitárias do Mato Grosso do Sul já tomaram todas as providências necessárias para impedir a disseminação da doença.

A fazenda onde os 140 animais foram contaminados já está interditada e a ordem é que todos os 582 bovinos existentes na propriedade sejam sacrificados e incinerados, sendo as carcaças posteriormente enterradas em local apropriado.

Questionado sobre a possibilidade de o vírus da aftosa ter sido trazido ao Estado de São Paulo, Mello admite que é impossível saber, tratando-se de microorganismos. “Mas neste momento todas as medidas de contenção estão sendo tomadas no Mato Grosso do Sul, em São Paulo e no restante do País para impedir a disseminação da doença”, encerra.

A reportagem procurou os frigoríficos Bertin (Lins) e Frigol (Lençóis Paulista) para se manifestarem sobre a situação, mas representantes de ambas as empresas alegaram ser muito cedo para avaliar o impacto da contaminação por aftosa no MS para suas exportações.

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A doença

A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que ataca todos os animais de casco fendido, principalmente bovinos. Os animais podem ser infectados em qualquer idade, independentemente do sexo e do clima da região onde vivam.

A doença é produzida por, pelo menos, seis tipos de vírus. Não há transmissores de aftosa. O vírus é vinculado pelo ar, água e alimentos, apesar de ser sensível ao calor e à luz. O vírus se isola em grandes concentrações no líquido das vesículas dos animais, que se formam na mucosa da língua e nos tecidos moles em torno das unhas.

O sangue contém grandes quantidades de vírus durante as fases iniciais da doença, quando o animal é muito contagioso. A gravidade da aftosa não decorre apenas das mortes que ocasiona, mas principalmente dos prejuízos econômicos aos pecuaristas.

A perda de apetite causada pela doença resulta em perda de peso do gado, quebra da produção leiteira, crescimento retardado e menor eficiência reprodutiva.

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