Em assembléia realizada ontem à noite, no Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, trabalhadores decidiram encerrar a greve iniciada no último dia 6. Em função do feriado de hoje, a partir de amanhã todas as agências bancárias da cidade voltarão a atender o público normalmente. Contudo, a contraproposta apresentada anteontem pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi rejeitada.
De acordo com o sindicalista Marcos Silvestre, a decisão de suspender o movimento seguiu o quadro de mobilização nacional, que sofreu um enfraquecimento ontem após o Comando Nacional de Greve dos Bancários ter recomendado a aprovação da nova proposta oferecida pela Fenaban, na noite de anteontem.
“Nós rejeitamos a proposta porque a consideramos muito aquém das nossas reivindicações. Já em relação ao movimento grevista, não havia como continuar porque a mobilização diminuiu em todo País. Agora, vamos esperar todas as assembléias (nos 25 Estados que aderiram à greve) serem encerradas, até sexta-feira para saber se a decisão da maioria será de aceitar ou rejeitar a proposta. Nós acataremos a maioria”, destaca Silvestre.
Os bancários iniciaram a greve reivindicando 11,77% de reajuste salarial, participação nos lucros e resultados (PLR) equivalente a um salário integral, mais uma parcela fixa de R$ 788,00 e 5% do lucro líquido dos bancos. A proposta inicial da Fenaban foi de 4% de reajuste, mais um abono de R$ 1.000,00 (parcela única) e PLR de R$ 788,00, mais 80% do salário individual dos funcionários.
Em sua contraproposta, a Fenaban avançou os itens para 6% de reajuste, abono de R$ 1.700,00 e PLR de R$ 800,00 mais 80% do salário integral do bancário. “Isso é muito pouco considerando as possibilidades dos bancos, que estão com os cofres abarrotados diante de tanta lucratividade do setor financeiro. Por isso, nós rejeitamos a proposta”, acrescenta Silvestre.
Segundo ele, ontem à noite já eram conhecidas as decisões em algumas localidades em relação à contraproposta da Fenaban: São Paulo, Porto Alegre e Bahia aprovaram; em Brasília e no Maranhão, a proposta foi rejeitada.
Nos últimos dois dias, a greve dos bancários já vinha perdendo força em Bauru. Na sexta-feira da semana passada, 26 agências passaram o dia fechadas. Nesta segunda-feira, o número caiu para 20. Ontem, apenas 14 do total de 44 agências bancárias existentes na cidade não prestaram atendimento ao público.
Panelaço
Na tarde de ontem, manifestantes da categoria promoveram um ato de protesto seguido de panelaço no Bradesco da rua Ezequiel Ramos, no Centro de Bauru. A polícia foi chamada, mas não houve confronto.
“Nós protestamos porque, há dois anos, o Bradesco usa um instrumento judicial chamado interdito proibitório para impedir o sindicato de fazer atividades de mobilização em frente às agências do banco. Mas esse instrumento fere o nosso direito à greve e, mais grave do que isso, o Bradesco ameaça seus funcionários de demissão para que eles não participem da greve. Por tudo isso, nós protestamos”, diz o sindicalista Marcos Lenharo, afirmando que o acesso de funcionários e clientes à agência não foi barrado pelos manifestantes.
Consultada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Bradesco divulgou a seguinte nota sobre o protesto de ontem: “O Bradesco respeita o direito de greve. O banco reitera que não abre mão de buscar o cumprimento da lei para preservar o direito democrático de clientes e funcionários em acessar as agências. A atividade bancária é essencial para o bom funcionamento da sociedade e, por isso, o Bradesco se empenha na sua obrigação de bem atender ao público.”