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Irmã Jacinta deixa Reitoria da USC

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

A partir do próximo mês, a Universidade do Sagrado Coração (USC) terá nova reitora: a irmã Elvira Milani. Após ocupar o cargo por duas vezes, de 1970 a 1976 e de 1979 a 1986, ela volta à função desempenhada pela irmã Jacinta Turolo Garcia, nos últimos 17 anos. Ela comandou a universidade, que possui cerca de 6 mil estudantes.

A comunicação oficial da mudança foi feita anteontem, durante reunião com 30 membros de um conselho universitário que reúne docentes, apóstolas e pessoas da comunidade acadêmica. A nova reitora foi escolhida pelo Conselho da Mantenedora, constituído somente por irmãs do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus (IASCJ).

Doutora em filosofia com especialização em temas contemporâneos e de formação na área de humanas, Jacinta (leia mais sobre ela no texto abaixo) deve embarcar no mês que vem para a Itália. Lá, a irmã realizará estudos de pós-doutorado na área de fenomenologia no Centro Italiano de Pesquisa Fenomenológica e Associação de Estudos sobre Edith Stein – filósofa judia cuja obra será traduzida em 20 volumes pela editora Edusc.

Existente há nove anos, a Edusc publica cerca de 500 títulos e considerada uma das melhores do Brasil. Coordenada por Jacinta, a editora deve ganhar ainda mais destaque com a experiência que será adquirida pela irmã no Exterior.

“Em função da USC, a irmã Jacinta vai coordenar a tradução desses livros e ela se tornará um ponto de ligação entre as obras e a Edusc”, diz Elvira, que já atuava na USC. “Vou me preparar, sou professora e o objetivo é o enriquecimento”, complementa Jacinta.

Elvira também escolheu a área de humanas como carreira. Formada em letras anglo-germânicas pela antiga faculdade Fafil, que em 1986 se transformou na USC, ela fez mestrado e doutorado na Universidade São Luiz, Estados Unidos, na área de inglês e literatura americana.

Entre os principais projetos da nova reitora para sua gestão – que tem duração de quatro anos com direito a recondução – é dar continuidade ao planos institucionais da USC criados há 20 anos. Uma delas é a Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati), que oferece diversos cursos e atividades culturais para idosos e ações desenvolvidas com a participação da sociedade.

“Abrimos projetos que integram mais a comunidade de Bauru e recebemos muito apoio. Percebemos também uma inserção maior das secretarias municipais e estaduais”, destaca Jacinta.

Além de reforçar os projetos já existentes, para 2006, a USC contará com algumas novidades, adianta a irmã Elvira. Uma delas é o redimensionamento da área física da instituição.

“Vamos ganhar, no início do ano, um prédio novo e vamos instalar no local a Reitoria, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, o Centro de Ciências Humanas, a Edusc, dois auditórios para conferências e palestras e 18 salas de aula, além de um restaurante grande localizado no andar térreo, ampliando espaço para o setor de gastronomia”, enumera ela.

Outra inovação, de acordo com Elvira, será a inauguração do novo prédio da Rádio Veritas, que atualmente funciona em uma das salas da universidade, e a abertura de cursos noturnos de fonoaudiologia e terapia ocupacional. Com 400 professores e 350 funcionários, a USC possui atualmente 32 cursos de graduação e dois cursos técnicos, além de pós-graduação.

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Exemplo

Reitora da Universidade do Sagrado Coração (USC) por quase duas décadas, a irmã Jacinta Turolo Garcia é nome de destaque no setor acadêmico de Bauru. No ano passado, ela foi indicada pela revista Forbes Brasil como uma das mulheres mais influentes do País, numa seleção que envolvia outras 78 candidatas.

Doutora em filosofia, docente do curso na instituição e coordenadora editorial da Edusc, ela - juntamente com a congregação das IASCJ - realizou diversos projetos na universidade. Em sua gestão, em 1996, foi inaugurada a Edusc e em 1998 foram abertos três cursos na área de comunicação social (jornalismo, relações-públicas e publicidade e propaganda) e turismo.

Outro fator marcante foi a preocupação com o perfil cultural da universidade, aponta Jacinta. “Quando passamos a ser uma universidade, houve uma difusão de ensino, pesquisa e extensão, que não é somente dedicado a projetos sociais destinados a pessoas carentes. Esse é um ângulo, mas o papel da universidade é distribuir cultura, como por exemplo, a valorização de projetos de música e artes cênicas, um curso novo que possibilitou essa abertura, juntamente com a Orquestra Veritas e o projeto Orquestra de Câmara”, diz ela.

Descendente de espanhóis, Jacinta nasceu em São Paulo e se mudou para Bauru na década de 70. Começou trabalhando no Colégio São José, entre 1973 e 1975. Realizou estudos em Roma (Itália), local onde terminou sua tese.

Professora e escritora, Jacinta está sempre em busca do aprimoramento pessoal e profissional. Esse é um dos objetivos da viagem que fará à Itália. “Vou coordenar a tradução dos livros e estudar profundamente os conteúdos da fenomenologia, uma área que poucas pessoas conhecem e que é a base da filosofia que começa no século 20”, diz.

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