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Governo Lula e retórica demagógica


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Com o debate nos meios de comunicação sobre o referendo do dia 23 de outubro, que poderá proibir ou não a venda de armas e munição no País, chama-me a atenção a postura do governo Lula em querer transferir para a sociedade brasileira a responsabilidade pela violência instituída e com isso deixando de assumir o seu papel. O presidente da República defende o desarmamento, sem considerar a função que o seu governo ocupa para reduzir os altos índices de violência que nos últimos três anos atingiram patamares insuportáveis.

Esquece o presidente de apontar as causas verdadeiras desta chaga social que a nosso ver está, em grande medida, associada à falta de oportunidades para a população, especialmente os jovens pobres que são instigados diuturnamente a consumir, como a única maneira de se tornarem visíveis em seu meio social. Neste modelo de sociedade que se está a construir, o valor do indivíduo passa a ser estabelecido, não pelo que ele é como ser humano, mas que pelo que consome.

As condições mínimas de sobrevivência são efetivamente negadas a esta camada da população, bem como a outras, enquanto o poder público faz discurso demagógico querendo atribuir à compra de armas a responsabilidade pelo crescimento constante da violência, com o claro propósito de esconder as suas reais deficiências - ou incompetência - no atendimento aos direitos elementares dos pobres, por meio da adoção de políticas capazes de gerar emprego e renda à maioria dos brasileiros, hoje sem perspectiva de futuro.

Se quisesse de fato enfrentar o problema da violência, o presidente Lula deveria começar a colocar em prática as inúmeras promessas de campanha até agora não cumpridas, entre as quais se inclui a geração de 10 milhões de emprego, em vez de usar subterfúgios quando afirma que a segurança do indivíduo não é responsabilidade dele, mas do Estado detentor do monopólio da violência e responsável pela segurança pública.

Para que isto possa ser assim, é preciso que esse mesmo Estado, hoje controlado pelo PT e seus aliados, se disponha efetivamente a apresentar um plano de combate à violência que tenha por pressuposto reduzir a desigualdade social nas suas mais diversas formas e não se omitir do papel de que lhe cabe no tocante a esta e a outras questões. O que se apresenta, entretanto, é uma falsa solução já que objetiva retirar direitos dos cidadãos, de modo a torná-los ainda mais vulneráveis frente a uma realidade que o presidente da República finge desconhecer, assim como se recusa a enxergar a corrupção praticada por gente do seu partido que tem contribuído para atirar na lata do lixo os princípios morais e éticos que bem ou mal têm servido para impedir que a sociedade brasileira enverede de uma vez por todas pelo caminho da barbárie.

Ao fazer uso de uma retórica demagógica para defender a proibição da venda de armas no País, o presidente Lula presta um desserviço à Nação e demonstra insensibilidade aos problemas sociais existentes, grande parte deles resultante de um modelo econômico excludente que não oferece à maioria da nossa sofrida população qualquer possibilidade de acesso a uma vida digna e sem violência.

O autor, Aparecido Inácio da Silva, é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul e advogado

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