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A origem dos diamantes


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Hoje é o Dia do Professor. Um dia que lança luzes sobre aqueles que, cotidianamente, dedicam sua juventude e também sua maturidade ao ato virtuoso de educar. De levar aos milhões de aprendizes espalhados pelo Brasil os instrumentos necessários à conquista da cidadania plena. Professores são arautos. Portadores que se ocupam em levar mensagens diversas aos receptores que, ao fim, simbolizam a esperança que depositamos em novos e melhores tempos.

Movidos por um altruísmo comum aos grandes personagens da História – que comumente mesclam em sua jornada um misto de idealismo e capacidade de realização –, nosso exército de mestres desbrava fronteiras e adentra aldeias indígenas, comunidades quilombolas, bairros movimentados das metrópoles. Seja nos cursos mais elementares de alfabetização, seja nas universidades mais renomadas de cada rincão do País, sempre há a figura desse lapidador. Desses homens e mulheres que, cuidadosamente, permitem que pedras brutas se transformem em jóias cujo brilho é capaz de iluminar o futuro.

Hoje é Dia do Professor. Data que demanda reflexões sobre o que é realmente essencial no vaivém contínuo do processo ensino-aprendizagem. Momento de observar que, nas últimas décadas, o papel da escola foi ganhando novos contornos. Novas alterações provenientes de métodos educacionais mais modernos. Resultantes tanto da troca ininterrupta de experiências no setor quanto da consciência social em torno da importância da educação. Do ensino de excelência nesta que é a Era da Informação e do Conhecimento.

São mudanças que ampliaram sobremaneira os horizontes. Renovações que tiveram início com passos importantes rumo à democratização da aquisição de conhecimento. Hoje, muitas escolas já estão informatizadas e, portanto, conectadas ao mundo. Exigência de uma época que requer habilidades e talentos cada vez mais diversos, como a fluência em mais de um idioma. É fato que o mercado de trabalho não tolera amadores. E também é fato que a cobrança sobre a capacidade dos aprendizes recai sobre o professor. Profissional de quem a sociedade exige aprimoramento ininterrupto.

Por esse motivo, é importante que os educadores relembrem os modelos referenciais do ensino de qualidade muitas vezes empregado ao longo da História. É o caso do método utilizado por Aristóteles em seu desejo de formar uma geração de jovens éticos e, portanto, felizes. O liceu do estagirita era um espaço privilegiado em que a virtude e a busca pelo meio termo permeavam as discussões filosóficas entre o educador e seus jovens aprendizes.

No mesmo diapasão, o filósofo Pedro Abelardo, nas escolas francesas, desafiava os estudantes a colocar em prática o potencial gigante, mas ainda adormecido, que habitava em cada um. Mais recentemente, temos o modelo de Dom Bosco, mestre dos salesianos. Verdadeiro professor que exaltava o amor como o único caminho para a educação verdadeiramente completa.

Hoje é Dia do Professor. Dia de homenagear aqueles que compreendem essa linda missão de lapidar. Alquimistas aptos a transformar metais em ouro e a revelar pedras filosofais. Jardineiros habilidosos que acreditam na semente, na flor, no fruto. Milhares de mulheres e homens que realizam o milagre da educação. Entram nas salas de aula entusiasmados pelo sonho de ensinar e de aprender. Protagonistas que acolhem filhos de famílias que vivem em harmonia e também filhos de lares que sangram. Sangram pela violência doméstica, pela bebida, pelas drogas, pela falta de amor.

Eis aqui nossa homenagem àqueles que são leais à missão de educar. Sábios que não servem a um partido ou a um governo, mas sim à causa nobre da educação. Servem a um sonho. Talvez o mesmo vivenciado por Aristóteles, Abelardo, Dom Bosco: o sonho de lapidar diamantes. Mestres que neste, e em todos os outros dias, acreditam que o esforço do trabalho será recompensado pela magnitude do resultado. Pela beleza rara da jóia que começa a tomar forma, sempre, em suas mãos.

O autor, Gabriel Chalita, é secretário de Estado da Educação.

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