Especialistas ouvidos pela reportagem advertem que a alimentação balanceada está entre os principais ingredientes para uma vida saudável, acompanhada pela atividade física e pelo descanso adequado.
De acordo com a nutricionista Adriane Gasparino dos Santos, professora de dietoterapia na Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru, uma das enfermidades mais freqüentes nos consultórios atualmente é a chamada síndrome metabólica.
“São pacientes que apresentam, ao mesmo tempo, obesidade, colesterol e triglicérides alterados, hipertensão, diabetes, todas relacionadas à alimentação. E no Brasil, o acesso a frutas, verduras e legumes é muito fácil. Mas a urbanização diminuiu o consumo desses alimentos, aumentando a ingestão de sal, açúcar e gordura”, reforça.
A nutricionista defende que a proposta do Ministério da Saúde ao lançar um guia nutricional é incentivar profissionais de saúde a investir na conscientização dos pacientes sobre a importância da dieta equilibrada. Isso aumentaria a qualidade de vida da população e reduziria os gastos públicos com tratamento dessas doenças.
“O Ministério da Saúde gasta R$ 11 bilhões por ano só com consultas, internações e cirurgias para essas doenças não-transmissíveis. A proposta do governo agora é investir numa medida preventiva”, defende.
Para o médico geriatra Luciano Camargo, a era moderna deu lugar aos “fast food”, com alimentos mais pesados que a dieta convencional, colaborando para o aparecimento das doenças crônicas em populações cada vez mais jovens. “Uma patologia crônica numa faixa etária precoce, a chance de complicações é muito maior. E hoje, a população está vivendo cada vez mais, permitindo que haja mais tempo para essas doenças manifestarem essas complicações”, lembra.
Os dois especialistas admitem que a correria moderna e o excesso de trabalho têm sido problemas importantes, pois as pessoas não têm tempo para cuidar da própria alimentação.