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Polêmico horário de verão


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Como ocorre há mais de um século, em vários países, junto com o horário de verão, vem a polêmica sobre sua real necessidade: uns amam, outros odeiam.

Consta que no ano de 1784, Benjamin Franklin teria proposto ao governo americano a adoção de um horário alternativo, durante o verão, com intuito de economizar velas nas fábricas e residências. Bastaria adiantar os relógios. O primeiro embate público que se tem notícia ocorreu em 1907, na Inglaterra, quando o construtor William Willet, membro da Sociedade Astronômica Real, fez campanha para adoção do horário de verão. Morreu em 1915 sem concretizar o seu ideal.

Em 1931, o presidente Getúlio Vargas, instituiu pela primeira vez no Brasil o horário de verão, pautado nas experiências consolidadas em dezenas de países. A principal motivação também foi a economia de energia elétrica.

A edição atual é a 32.ª (21 consecutivas, após 1985). No início envolvia todo território nacional. Hoje abrange o Distrito Federal e 10 Estados (Sul, Sudeste e Centro-Oeste), onde vivem 70% da população brasileira.

Desde Franklin, o propósito do horário alternativo era aproveitar a luz do dia no verão, período do ano que o sol nasce antes que a maioria das pessoas tenha se levantado, propiciando redução no consumo de luz artificial. Posteriormente, outras duas motivações agregaram-se: mais tempo para o lazer e redução da criminalidade. Nos EUA e Europa, o horário de verão vai de abril a outubro (mais de 200 dias). Pude testemunhar em uma de minhas visitas técnicas às concessionárias européias, que em outubro, às 21h, o sol ainda resplandecia em Madri.

A polêmica, anualmente reeditada, é relativa à claridade nos dias de verão. Afinal de contas, os dias são ou não mais longos?

O relatório de 2002 do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), encomendado pela Assessoria da Prefeitura de Bauru, que à época fazia a Gestão Energética Municipal - GEMA, para subsidiar estudos sobre a iluminação pública, permite-nos constatar que em nossa região, no horário de verão, o período do dia com claridade natural (fotoperíodo) é maior. A claridade diária média é de 13h10, e os dias mais claros ocorrem no final de dezembro, com 13h28. A edição de 16 de outubro a 19 de fevereiro de 2006 (126 dias), inicia com 12h35 e termina com 12h46 de luz natural.

Na avaliação do Ministério de Minas e Energia, em nível de área abrangida, o horário de verão tem correspondido à expectativa nos aspectos economia de eletricidade e índice de satisfação da população. Porém, minha vivência no setor elétrico, sempre em contato direto com a população, permite-me considerar que em nossa região, no final do horário especial, principalmente em fevereiro, agravado pelo início do período escolar, o desconforto se manifesta nas famílias. Para se dirigirem ao trabalho ou levarem os filhos à aula, apesar de termos os dias mais longos, as pessoas são obrigadas a levantar antes do sol nascer e movimentar-se dentro de casa com as lâmpadas acesas, em antítese à filosofia do projeto. Em suma, pude constatar que a maioria da população aceita o início, é eufórica no meio e repudia o final do horário especial.

O autor, Braz Melero, foi diretor regional da CPFL, assessor de gabinete da prefeitura e presidente da Cohab - e-mail: brazmelero@uol.com.br

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