Bairros

Mascates modernos

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 2 min

Os altos índices de desemprego e a atual crise econômica pela qual o País atravessa têm levado cada vez mais pessoas a recorrerem ao trabalho autônomo e informal. Com isso, um das atividades profissionais que tem crescido bastante é a dos vendedores ambulantes.

Em Bauru, esses trabalhadores já estão espalhados por todos os bairros e atendem um número expressivo de consumidores. Vendem desde alimentos, passando por materiais de limpeza, até utensílios e móveis para as residências. Embora sejam chamados de ambulantes, a principal estratégia deles é encontrar locais com grande circulação de pessoas e automóveis e montar um ponto de vendas fixo, o que é proibido pela lei municipal que regulamenta a categoria.

Embora grande parte da população reconheça que esse seja um trabalho digno e suado, desempenhado por pessoas que encontraram uma maneira alternativa para obter renda e levar comida para dentro de casa, a atividade deles coloca em debate temas como a saúde pública, a segurança da população e o próprio trabalho ilegal.

O órgão responsável pela regularização dos ambulantes no município é a Secretaria do Planejamento (Seplan) e, no caso daqueles que comercializam alimentos e produtos de limpeza, a Vigilância Sanitária atua em conjunto realizando vistorias para analisar as condições de higiene. Porém, conforme apurou a reportagem do JC, grande parte desses profissionais não possui o alvará de funcionamento.

A Seplan afirma fazer a parte dela fiscalizando esse tipo de atividade, autuando os ilegais e encaminhando-os para o setor de regularização da prefeitura. Por outro lado, os ambulantes reclamam da burocracia e da dificuldade em obter a permissão para trabalhar.

Na questão da segurança, a preocupação fica por conta dos vendedores de porta em porta. Com o crescimento generalizado da violência, casos de bandidos que se passam por falsos vendedores para roubar residências se tornaram comuns. Por isso, a Polícia Militar recomenda uma série de medidas que devem ser tomadas, principalmente pelas crianças, ao atender qualquer desconhecido no portão de casa. Quanto à saúde, de acordo com a Vigilância Sanitária, o maior problema se encontra na conservação e manipulação de produtos perecíveis. O órgão cobra que uma série de exigências sejam cumpridas pelos ambulantes que trabalham com alimentos, mas parte delas tem sido desrespeitada. Essas são as principais discussões em relação à atividade dos vendedores de rua da cidade, itens bem diferentes da situação dos mascates que chegaram a Bauru no início do século junto com a construção da linha férrea. Naquela época, ser vendedor ambulante era visto como uma opção de emprego e não como uma necessidade ou questão de sobrevivência como nos dias de hoje.

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