No ano de 1905, com a chegada da estação ferroviária em Bauru, a cidade começou a crescer numa velocidade impressionante. Muitas pessoas passaram a vir em busca de empregos na região que começava a prosperar. Conseqüentemente, começaram a surgir os primeiros mascates, atualmente conhecidos como vendedores ambulantes. Nos tempos áureos da ferrovia na cidade, a estação chegava a receber, em média, 15 composições de trens por dia, de acordo com o pesquisador e historiador Gabriel Ruiz Pelegrina.
“Formou-se um grande entroncamento ferroviário em Bauru e, graças a ele, os árabes vinham vender seus produtos por aqui”, explica o historiador ao relembrar que grande parte dos mascates eram oriundos de outras nações.
Naquela época, a atividade desses vendedores era bastante diferenciada da conhecida hoje. Primeiro porque muitos iam atrás de seus consumidores montados no lombo de cavalos, burros ou, quando tinham condições financeiras, em carroças ou charretes.
Eles adentravam a área rural do município e visitavam sítios e fazendas carregando suas malas sempre abarrotadas de mercadorias, como tecidos para a confecção de roupas, linhas para costura, aviamentos em geral, utensílios para cozinha, entre outras coisas.
Outros preferiam vender de porta em porta, batendo palmas em frente às residências para oferecer os seus produtos aos moradores. De acordo com Pelegrina, muitos deles se concentravam nas proximidades da praça Machado de Melo. “Alguns partiam em jardineiras para outras cidades levando todo o seu material para ser comercializado”, conta.
Segundo o historiador, a chegada dos mascates nas residências ou propriedades rurais era motivo de alegria para os consumidores, afinal, os preços eram considerados acessíveis e quase sempre as compras eram marcadas numa caderneta para serem pagas somente na próxima visita.
O jornalista e historiador Luciano Dias Pires também é conhecedor da história dos mascates que viveram na cidade. Ele confirma que a vinda desses estrangeiros para o município está diretamente ligada à chegada da ferrovia. “Eles desembarcavam com as suas mercadorias trazidas de São Paulo e, com o passar do tempo, acabavam casando, tendo filhos e ficando por aqui mesmo”, disse.
De acordo com o jornalista, depois de trabalhar por um tempo como mascate, alguns conseguiam abrir um estabelecimento comercial no município. Aos poucos, deixavam de vender nas ruas e passavam a se dedicar cada vez mais ao comércio tradicional, em ponto fixo. “As lojas começaram a nascer num caminho de terra que depois se tornou a rua Batista de Carvalho, que acabou se transformando na principal rua comercial de Bauru”, explicou.
Dessa forma, segundo Pires, os habitantes, principalmente os da zona rural, começaram a vir com freqüência para a cidade aos sábados e domingos para efetuar compras. Com isso, os mascates deram lugar aos vendedores das grandes empresas, que visitavam loja por loja para vender as suas mercadorias e reabastecer o mercado local.