Tribuna do Leitor

Dia dos professores


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“Eu perguntei, perguntei, muita gente respondeu, não sei, não sei...”, ontem foi o Dia do Professor. Eu aqui há 3 anos desempregado, de carteira e tudo! Fazendo uns biscates aqui; o meu salvador professor Ferraz ajudando; o meu anjo da guarda Renato Chiquito, do outro lado me segurando! A solidão batendo cada vez mais forte e a sorte que meus filhos - pelo menos me compreendem!

Dia dos Professores, tenho passado muitas necessidades, mas não esqueço daquele diretor de escola que falou que pagaria “seiscentos miréis” para trabalhar das 8 às 18. Concluiu pudicamente: “Negócio fechado”. O outro diretor disse solenemente: “Paulinho, em 15 dias eu te chamo, você vai trabalhar comigo...”. Hoje está fazendo 3 anos. E o outro pediu o meu curriculum só para constar que em 10 dias estava na escola “dos sonhos”, dele, claro! Cabeça eu tenho para sempre lembrar quem esteve comigo nestes 3 anos. Memória que eu nunca perca para nunca esquecer que tudo começou há muito tempo, há 36 anos que eles, todos, têm na garganta! A última foi uma diretora-cocota, aquela amiguinha dos alunos e pau nos professores e todo mundo fica calado, porque precisa de ajuda. Conheço a turba! E os professores? Eu tinha 150 amigos na última escola, se não me falha a memória 3 vieram saber como eu estava e um enviou-me uma cesta básica.

Verdade! Não tenho vergonha a esta altura da vida. 37 anos de ensino, de sala de aula, não de mentira e engodo. 37 anos de sala de aula, ali, com 200, 100, 50, 30 alunos e vestindo a camisa da escola e não vestindo duas ou três e puxando tapete de todo mundo, como muitos fazem e fazendo cursos e mestrados da vida, para puxar tapetes dos outros que fizeram os outros cursos. Safadeza! “O homem se humilha se castram seus sonhos/ seu sonho é sua vida/ A vida é trabalho/ e sem trabalho/ um homem não tem honra/ e sem a sua honra/ se morre/ se mata...” Não dá pra ser feliz, professores!

Paulo Neves - professor, não tio, facilitador e outras coisas mais...

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