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Irmão de Lula fez lobby na Petrobras

Folhapress
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São Paulo - Reportagem publicada ontem pela revista “Veja” afirma que a atuação de Genival Inácio da Silva, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto não se limitou a intermediar encontros de representantes da Federação Brasileira de Hospitais com assessores próximos do presidente.

Segundo a revista, Vavá, como Genival é conhecido, também intermediou audiências do empresário português Emídio Mendes, do Riviera Group, com o assessor especial da Presidência César Alvarez - que recebeu o presidente da Federação de Hospitais no mesmo encontro - e com o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. A reunião com Carvalho ocorreu no dia 22 de setembro, oito dias após a audiência do empresário com Alvarez.

Vavá montou um escritório em São Bernardo do Campo para “ajudar” empresários a ter acesso ao governo federal. A assessoria de imprensa da Presidência afirma que Lula não tinha conhecimento dos negócios do irmão. O Riviera Group, que atua nos setores imobiliário, turístico e energético, tentava fechar negócios com a Petrobras.

Ainda segundo a revista, uma semana depois de ser recebido por Carvalho em Brasília, o empresário português esteve no Rio de Janeiro, acompanhado de Vavá, para uma visita à Petrobras, na qual teria discutido a assinatura de um memorando de entendimento entre a estatal e a Nacional Gás, empresa controlada pelo Riviera Group.

A revista afirma ter recebido duas versões do empresário português sobre sua visita ao Planalto e sua viagem feita ao Rio ao lado de Vavá. Na primeira, Mendes teria dito que, com os assessores do presidente, tratou de um pedido para que o governo “ajudasse países africanos de língua portuguesa” e, no caso da viagem, teria levado o irmão de Lula para que ele lhe apresentasse um amigo que teria um terreno no Rio. Mendes estaria interessado no imóvel.

Na segunda versão, após a revista revelar que tivera acesso ao assunto tratado na reunião com Carvalho - negócios com a Petrobras -, o empresário teria dito não estar fazendo “nada de errado”, só “contribuindo para aumentar as exportações” do País.

Segundo a revista, a assessoria de imprensa da Petrobras afirma que as negociações com a Nacional Gás começaram em julho. A reportagem ligou na manhã de ontem para a casa de Vavá, deixou recado, mas não havia recebido resposta até o fechamento desta edição. A reportagem também tentou ouvir a assessoria de imprensa do Planalto e o próprio Gilberto Carvalho, mas também não obteve respostas.

Encontro inesperado

O Palácio do Planalto confirmou que houve um encontro do chefe-de-gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, com Vavá e o empresário Emídio Mendes. Segundo o Planalto, o encontro ocorreu de forma inesperada. Carvalho teria tido uma breve conversa com Vavá e Mendes, em pé, na porta de seu gabinete.

De acordo com a assessoria de imprensa, a audiência não estava marcada. O empresário e o irmão do presidente teriam ido ao Palácio do Planalto, sem avisar, para fazer um segundo contato com o assessor especial da Presidência, César Alvarez. Como Alvarez não estava, o assunto foi encaminhado a Gilberto Carvalho.

Na versão do Planalto, Carvalho apenas recebeu um documento das mãos do empresário, mas não foi dado nenhum encaminhamento. O Planalto ainda sustenta que os contatos entre Mendes e a Petrobras já vinham sendo realizados desde julho deste ano.

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