Nhanduti que, em Tupi Guarani, significa teia de aranha e é o artesanato que está divulgando o nome da cidade de Dois Córregos na Capital. Feito à mão com linhas e fitas as tramas de origem indígena, está conquistando espaço e já foram usadas na coleção de jóias da estilista paulista Ana Paula Ferreira.
O artesanato acompanhado de sua lenda é fruto da Cooperativa dos Artesãos de Dois Córregos. Com linhas e fitas, as cooperadas constróem suas tramas e com elas confeccionam bolsas, almofadas, toalhas, enfeites de várias espécies para parede e vestuário.
Mas é na lenda do Nhanduti que se encontra uma história de amor. Conta-se que em uma aldeia indígena, a filha do pajé estava em idade de se casar. O pai reuniu os jovens da tribo e pediu que eles saíssem à procura de um presente para a jovem.
Aquele que trouxesse o mais belo presente seria o marido da filha. Todos ficaram esperançosos, pois entre eles não havia um só que não desejasse tal honra. Cada qual trazia o maior e mais carnuda caça. Mas um dos jovens, que já nutria grande paixão pela jovem índia, ficou simplesmente observando o trabalho de uma aranha tecendo sua teia e se encantou.
Ele voltou para a aldeia e, com a ajuda de sua mãe, teceu como a aranha, em fios vegetais e fios de cabelo tingidos, o mais belo manto. O pajé vislumbrado pela beleza do presente, entregou ao jovem o prêmio prometido, sua doce e bela filha em casamento. A jovem, maravilhada, usou o manto como vestido de noiva. Desde então, tornou-se tradição na tribo a confecção de manto, esteiras e redes de fios vegetais.
Longe das lendas, as cooperadas aprenderam a tecer, só que desta vez nos teares. “Nós fazemos teares com madeira e papelão. Se a linha a ser usada for fina, usamos alfinetes para fazer a trama. Se for mais grossa, usamos pregos”, explica a artesã Eliane Nino Tumioto.
De acordo com ela, o trabalho, além de terapia, significa uma fonte de renda. “Estou há dois anos nesse trabalho e de um mês para outro consigo ganhar um salário mínimo.”
A artesã frisa que a divulgação é que vai garantir um ganho maior. “Estamos, com a ajuda do Sebrae e da Prefeitura, participando de várias feiras na Capital e isso tem dado um bom retorno para nós.”
Bambu e decoração
A região de Dois Córregos é rica em bambu. O material está sendo usado para a confecção de artesanato. O trabalho surge a partir de revistas e idéias de arquitetas e paisagistas, diz o artesão Antonio Bonini. Segundo ele, do bambu se aproveita tudo na decoração. As ramas são transformadas em belas luminárias e é com o caule que se confeccionam cadeiras, mesas e uma infinidade de móveis.
O artesão explica que o bambu é mais resistente que a madeira e está isento de inseto, graças ao tratamento que dado ao material. “Fazemos de tudo para decoração, ambiente interno e externo e jardinagem. O bambu tem uma resistência muito boa. Aproveitamos a raiz e os galhos que antigamente eram descartados. Os trabalhos feitos com a rama têm uma boa aceitação no mercado.”