Politicando

O general e Mário Lago em Bauru


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No final dos anos 40 e início dos anos 50, retornava para Bauru o general Américo Marinho Lutz para assumir o comando da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Como sempre, a preocupação dos detentores do poder era a organização dos comunistas no seio da classe ferroviária e os órgãos de informação viviam no encalço dos simpatizantes do “credo vermelho” em contínua tentativa de localização de suas reuniões.

Uma tarde avisaram o general que os comunistas estavam com reunião marcada para Curuçá, com a finalidade de instalarem em Bauru o Comitê de Defesa da Paz Mundial e, ao visto, seria reunião ampliada e pública, pois muitos haviam sido convidados.

Quase na hora da reunião, Marinho Lutz chama seu motorista e solicita que este o leve até o conhecido bairro de operários. Estava vestido com uma capa do exército e, ao se aproximar, integrantes do grupo o identificaram

- Ih... chegou o general Marinho Lutz, o diretor da estrada...

- Este conheço do Rio... é carne de pescoço!

O general, quando estava próximo do local, abriu a capa, para mostrar que estava desarmado, e disse em voz alta:

- Não se preocupem... é visita de paz! Afinal, vocês não estão discutindo a paz mundial?

Continuou caminhando e, ao chegar bem próximo parou, abriu os braços e exclamou:

- Ora, se não é o meu amigo Mário Lago!

E para espanto de Mário de Oliveira, Frederico Trevisan, Ernesto Galbiatti, José Spétic – Zé Alemão -, dentre tantos outros, o general e o comunista visitante trocaram um longo e caloroso abraço.

Esta história nos foi contada por Luis Antonio Bozzini, em um templo de devoção a Santo Onofre, e confirmada por participantes da reunião...

Contada por Antonio Pedroso Júnior

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