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Quando a polícia dá medo


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Numa época em que os governos federal e estadual só tratam de apoiar a absurda campanha pelo desarmamento da população brasileira, em defesa de um referendo totalmente inoportuno, os verdadeiros problemas ficam sem solução. O combate à violência e à criminalidade, que não depende de armas e sim de uma política de segurança pública e de ações radicais contra bandidos, acaba sendo menosprezado. No Estado de São Paulo, delegacias de polícia deixaram de ser símbolos de segurança: tornaram-se fontes do medo.

A Capital do Estado, por exemplo, conta com o 103.º Distrito Policial, o que faz os cidadãos acreditarem que a cidade possui pelo menos 103 delegacias. Na verdade, são apenas 93 DPs. O que acontece com os outros 10? É simples: moradores de bairros que seriam beneficiados pela aparente criação de uma delegacia na região acabam impedindo a construção do DP, pois temem os riscos de rebeliões e fugas de criminosos detidos em delegacias.

Esse medo é procedente. Por muitos anos, DPs foram improvisados com cadeias superlotadas, por falta de vagas no sistema prisional. Agora, a maioria das delegacias já não funciona como penitenciárias e as celas passaram a ser locais de prestação de serviços à comunidade. Portanto, os detidos ficam nos DPs só para serem autuados pelos delegados, sendo depois transferidos para os centros de detenção provisória, onde aguardam decisão da Justiça. Então, é hora de retomar a construção de delegacias em todo o Estado!

A exemplo da Polícia Civil, graves problemas afetam a vida da Polícia Militar de São Paulo. Já alertei que os PMs são obrigados a usar sempre a mesma farda, que vai sendo remendada a cada mês, e botas furadas. A denúncia foi feita por policiais militares da cidade de São Paulo, de municípios do Interior e de várias regiões do Litoral. O Governo do Estado demora para fornecer novas roupas. Faltam também armas, viaturas e coletes à prova de balas.

Uma vez que a maioria da população está submetida ao risco de cair no embalo da propaganda enganosa do governo, entro com minha experiência de mais de 30 anos em assuntos de segurança pública, dos quais 18 como deputado estadual independente, e garanto: a criminalidade ainda é problema grave para os paulistas. Não será por meio de referendo absurdo e da também absurda possibilidade de cassação do direito dos cidadãos de usar armas que a realidade permanecerá oculta. O povo, que pensa, precisa ficar atento!

O autor, Afanazio Jazadji, é deputado estadual

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