Brasília - O Ministério da Agricultura confirmou três novos focos de febre aftosa nos municípios de Eldorado e Japorã, no Mato Grosso do Sul (MS). A fazenda Jangada (em Eldorado), onde foram localizados animais doentes, é vizinha à Vezozzo, onde foi encontrado o primeiro foco da doença.
A identificação da doença em duas pequenas propriedades em Japorã deverá ampliar a área de isolamento também a parte do Paraguai, já que essas propriedades estão localizadas a quatro quilômetros da fronteira, o que vai exigir também uma ação do país vizinho no combate à doença.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Alves Maciel, disse que uma atuação conjunta dos dois países será fundamental ao combate à febre aftosa na região. “Se afeta a economia nacional do Paraguai, o problema passa a ser também deles”, disse o secretário, que espera reciprocidade das autoridades paraguaias em uma ação na fronteira.
Apesar dos novos focos confirmados pelo Laboratório Nacional Agropecuário do Pará (Lanagro), ligado ao Ministério da Agricultura, o secretário considerou positivo o fato de não terem surgido novas suspeitas da doença nos últimos três dias.
Além disso, ele afirmou que todos os indícios e focos confirmados foram registrados dentro da área de isolamento definida pelo governo, que engloba um raio de 25 quilômetros a partir do primeiro foco. Desde 1 de outubro, 172 propriedades da região foram vistoriadas.
Com os focos confirmados ontem, sobe para quatro o número de propriedades com registro de febre aftosa no Estado. O governo ainda aguarda os resultados de análises de outras três pequenas propriedades no município de Japorã sob suspeita.
Antes mesmo da confirmação dos novos focos, cerca de 320 animais foram sacrificados ontem na fazenda Jangada como uma medida preventiva, pela proximidade com a fazenda Vezozzo e pelos sintomas clínicos apresentados pelos animais.
A confirmação dos novos focos em Japorã fez com que dois outros municípios fossem incluídos na região de isolamento no MS: Tacuru e Sete Quedas. Outros cinco já estavam na área de isolamento: Japorã, Eldorado, Mundo Novo, Itaquiraí e Iguatemi.
Rússia
A confirmação de novos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul não deverá representar a ampliação dos embargos às exportações de carne para a Rússia na avaliação do secretário. Essa análise otimista do secretário foi feita porque os russos decidiram não aplicar o acordo sanitário que permitia o embargo não só aos produtos do Mato Grosso do Sul, mas também as Estados vizinhos.
Até agora, a Rússia suspendeu apenas as importações de produtos do Mato Grosso do Sul, o que pode ser revisto no prazo de seis meses. “Eles precisam da nossa carne”, disse o secretário, ao considerar ainda que o Brasil foi rápido e transparente na comunicação das ocorrências e das suspeitas da doença. “Os russos gostam de transparência”, comentou. Pelo acordo, a Rússia poderia impor embargos de dois anos para o Mato Grosso do Sul e um ano para os vizinhos.
Hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues vão tentar explicar na Rússia as providências que vêm sendo tomadas no Brasil para conter a febre aftosa.