Tribuna do Leitor

O PT elevou o prêmio do Risco Brasil


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As tendências dos mercados e dos bancos estrangeiros que são desfavoráveis em relação a investimentos no Brasil, combinadas com a escalada da corrupção desenfreada do governo Lula e a hostilidade do PT aos princípios das economias de mercado, entre outros fatores, têm sido a base para a deterioração das expectativas do crescimento econômico brasileiro, o que aumentou o prêmio do risco Brasil, que inviabiliza todos os setores produtivos do País e os novos investidores, tornando nossa economia vulnerável. Poderemos amargar durante mais de uma década para voltarmos ao crescimento sem os indexadores maquiados pelos tecnocratas socialistas, que colocaram nossa economia num tubo de ensaio.

Os mercados já comprovaram e sabem que socialistas sem sofisticação são contra e não gostam das engrenagens do capitalismo. O que é pior: não são capazes de as compreenderem. É natural que registrem seu desconforto no mundo globalizado.

No próprio partido, existem posições que originaram dúvidas. Enquanto países como a China, Rússia e a Polônia, entre outros, continuam a fazer as privatizações, o PT só promete interromper ou rever o processo de desestatização, mas não é capaz nem de reduzir os juros da taxa Selic. E de onde virão os recursos para investimentos, por exemplo, em energia que poderá sofrer um apagão em 2006? De mais endividamento das estatais ou da elevação de impostos? Ou quem sabe deste grupo arquimilionário formado no governo do PT, que abocanhou recursos que poderiam ser destinados às obras necessárias e que gritaram nos palanques eleitorais em todo território nacional por justiça social, abraçando a bandeira contra a corrupção.

O excessivo aumento na tributação, sem a tão sonhada reforma tributária, e a condenação dos lucros impedem a acumulação de capital, que poderia induzir aos tão almejados índices de aumento de produtividade e a ga-nhos salariais reais e sustentáveis.

Estamos caminhando de volta para o passado, com a velha fórmula de aumentos salariais por decreto e na base de greves e confrontação sindical. Os mesmos grevistas que ajudaram a eleger o PT. Alguns estão escapando do conto do ex-operário, como dizia Leonel Brizola, e da lavagem cerebral a que foram submetidos durante anos a fio. O que este governo está produzindo? O desemprego e a inflação maquiada, que, quando começar a aparecer para a grande maioria da população, será um salve-se quem puder. E o mais grave: mantendo as leis trabalhistas que estão empurrando mais de 40 milhões de trabalhadores brasileiros para a informalidade, pode-se comparar a um holocausto econômico.

A deseducação macroeconômica do PT tem raízes profundas, nascida num parque industrial à sombra do protecionismo, irrigado por incentivos fiscais e créditos subsidiados. Conquistou ganhos salariais e lucros oligopolísticos durante vários anos. Nunca contribuiu com idéias inovadoras, reforçando suas bases no funcionalismo público de uma economia estatizada.

O PT subestimou a grande maioria da população que apoiou o plano real, porque aprendeu a viver com a inflação com base em reajustes salariais indexados. E o que é mais grave: engrossou seu contingente de filiados com simpatizantes do MST que praticam a reforma agrária com ocupações, uma clara ameaça à propriedade privada.

Inegável são os méritos do PT no campo político. O partido enfrentou o regime militar e ajudou o País na busca da abertura da democracia. Abraçou a bandeira contra a corrupção, colocando rumo na ação social do Estado nas políticas públicas, introduzindo programas como o bolsa-escola, o Orçamento participativo em nível municipal. Também diagnosticou o endividamento externo, que o governo de Fernando Henrique Cardoso já vinha combatendo, que é fonte de vulnerabilidade crônica da nossa economia.

Os problemas do PT são com o fechamento nas medidas econômicas, para a remoção das desigualdades sociais apontadas. Não adianta perseguir os melhores propósitos com as piores práticas. É admirável como filosofia de solidariedade. O socialismo é uma religião desejável para intelectuais. Onde andam? Ddesapareceram da cena política, com a avalanche de denúncias de corrupção? Um verdadeiro desastre como doutrina econômica, ignorando os mercados competitivos em economias abertas que aumentam o poder de compra dos assalariados que engrossaram fileiras para eleger o PT. Avisem a todos que agora eles são governo e não oposição cerrada e radicalizada.

Que empreendedores só obtêm lucros excessivos transitoriamente, pois ganhos extraordinários atraem mais investimentos, maior competitividade, produtos melhores e preços declinantes, melhor qualidade de vida da população de baixa renda, reorganizando a classe média quase extinta, que exerce e absorve os impactos sociais como contrapeso da sociedade organizada.

A doutrina socialista radical não compreende que capital e tecnologia aumentam a produtividade e os salários. E que os fatores críticos de produção na economia moderna não são a terra nem o capital. São a educação e a tecnologia, produto do capital humano. Bolsas de estudo terão, portanto, maior impacto sobre a produtividade e sobre a distribuição de renda do que minifúndios obtidos com ocupações à força.

O desafio do PT, além de desvendar o mistério de onde veio e para onde foi o dinheiro ilicitamente não contabilizado, não é diferente daquele enfrentado timidamente pelos social democratas de Fernando Henrique. Para a construção de uma grande sociedade aberta, com democracia, economia de mercado, moeda forte, ação social descentralizada do Estado e integração competitiva em uma economia globalizada, convocamos todos os brasileiros que têm amor à Pátria onde nascemos, vivemos e sonhamos com as igualdades sociais para um referendo da continuidade deste modelo de governo presidencialista dentro de uma constituição parlamentarista.

Sérgio Oliveira de Castro Coelho - RG 8.390.751

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