Mobilizado pelo ‘sim’
O deputado federal Jamil Murad (PCdoB) vota “sim” no referendo sobre a venda de armas de fogo e munição no País, ou seja, pela proibição desse tipo de comércio.
Ele argumenta que a idéia não é tirar “o direito” das pessoas de decidirem se querem ou não ter em casa uma arma de fogo, mas controlar a venda indiscriminada. “O referendo não vai tirar direitos de ninguém. A pessoa pode ter uma arma desde que prove à Polícia Federal que necessita dela, que é importante para salvaguardar a vida dele”, diz Murad.
Para o deputado do PC do B, os argumentos para evitar a proibição estão sendo “fraudados” com a “distorção da realidade”. Para ele, a sociedade não está clamando pelo direito de comprar arma, mas pelo fim da violência. “Eles (partidários do “não”) dizem que o fim da violência é dando o direito de todo mundo comprar arma. Nós dizemos que o fim da violência passa pelo controle da posse”.
Para Murad, autorizar a compra de armas e munição só favorece a corrente armamentista, que passa uma falsa sensação de segurança a quem possui uma arma em casa. Ele lembra que as pesquisas mostram que, durante um assalto, a vítima armada corre risco maior de ser morta.
Em defesa do ‘não’
O deputado federal Luiz Antonio Fleury Filho considera uma falácia proibir o comércio de armas. Defensor do “não” no referendo, ele acha que o estatuto do desarmamento já mantém os elementos necessários ao controle da venda e posse de arma.
“O estatuto do desarmamento já tem os elementos necessários para combater o porte ilegal de armas, para diminuir o número de armas em circulação e para retirar a arma do bandido”, menciona Fleury. O deputado considera que proibir o comércio é inconstitucional. “O que não se pode é ferir a garantia constitucional de direito à vida, à liberdade. Não se pode tirar do cidadão o direito de escolha. Se amanhã ele vier a precisar ter uma arma ele não pode ficar sem ter onde comprar. Proibindo a comercialização, não se poderá mais vender arma ou munição mesmo para quem precise e essa proibição absoluta não é boa”, argumenta.
Fleury Filho também acha frágil o argumento de que o comércio legal é o responsável pelo aumento da circulação de armas. “O maior problema é o controle de fronteiras e não o comércio legal de armas. O bandido não vai na loja comprar arma. Por mais que a Polícia Federal se esforce ela não está aparelhada adequadamente para evitar entrada ilegal de armas pela nossa imensa fronteira”, enfatiza.