Articulistas

Casa própria: sonho de todos


| Tempo de leitura: 3 min

Continuar inquilino ou ficar devendo para ter a casa própria? Para quem não tem uma poupança nem o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), essa decisão precisa ser bem pensada. Muita gente acha que pagar aluguel equivale a jogar dinheiro fora. Conclusão: melhor usar o recurso “desperdiçado” na forma de parcelas para pagamento de um teto próprio. O raciocínio, que parece lógico, na verdade não é tão simples caso você não tenha dinheiro para adquirir um imóvel à vista.

Antes de pegar um empréstimo bancário, calcule se os juros não irão comprometer boa parte do seu orçamento. Há taxas variáveis entre 6% e que podem chegar até 12,82% de juros ao ano, dependendo da política de cada banco. O empréstimo também dependerá de alguns critérios de avaliação do banco, como idade e renda do tomador, e o de encontrar um imóvel no valor ideal que caiba no seu bolso. Enfim, são inúmeras as variáveis, e só uma análise particular pode avaliar se o negócio é bom para o seu futuro. Mas, determinados aspectos valem para todos, desde um pequeno investimento até o mais sofisticado. Para sair do aluguel e comprar um imóvel, não deixe de fazer as contas detalhadamente, tudo tem que ser calculado na ponta do lápis e com muita atenção para não cometer erros na decisão.

O governo poderá bancar parte do seu sonho ou todo ele na compra da casa própria. Para quem tem um saldo do FGTS, o financiamento pode ser compensador. Após análise do seu perfil, o banco talvez ofereça apenas o suficiente para bancar uma parte do imóvel. Sobrará a entrada, que pode ser coberta com o fundo. O governo tem bancado um grande número de famílias que ganham até R$ 1.500 por mês. Para quem tem renda mensal de R$ 300, libera em torno de R$ 17 mil, dos quais R$ 11 mil são doados. Os outros R$ 6 mil são pagos em parcelas de R$ 45,00 durante os próximos 20 anos. Se o imóvel for mais caro e o mutuário tiver FGTS, poderá usá-lo para amortização do saldo financiado.

Assim vale a pena! No início deste ano, orientei um casal com uma filha de 8 anos e uma renda acima da média, R$ 1.800. Eles pagavam R$ 600,00 de aluguel e IPTU (Imposto Predial, Territorial e Urbano), além das dívidas acumuladas (cheque especial, cartão de crédito e mais duas financeiras). O casal pagava em média 35% de juros mensais e comprometia 60% dos seus rendimentos. Com algumas dicas, o casal passou a administrar melhor as finanças por meio da elaboração do Planejamento Financeiro Doméstico Familiar (PFDF), começando pelo corte de itens que geravam despesas extras mensais desnecessárias, consideradas supérfluas para a sobrevivência familiar. As economias tornaram-se representativas, em conseqüência das mudanças de hábito sem que houvesse perda da qualidade de vida. Iniciamos então a análise para sair do aluguel e investir na tão sonhada compra da casa própria. Em apenas seis meses de uma boa administração, o casal conseguiu economizar satisfatoriamente naqueles pequenos itens desnecessários e nos valores que compensariam o investimento. As dívidas anteriores foram pagas, sem que fosse necessário fazer um empréstimo pagando altas taxas de juros, pois todas as dívidas foram resolvidas com os próprios recursos. O casal deu uma entrada num apartamento usando o saldo do FGTS, e hoje paga prestação de R$ 329 pela compra da casa própria.

Não faça negócios com intermediários que não estão preparados para lhe vender um imóvel, pois isso poderá lhe custar caro. Após essa certeza, o próximo passo é planejar as finanças para fazer um excelente investimento e realizar o sonho da sua casa própria. Boa sorte e sucesso!

O autor, Cláudio Boriola, é consultor financeiro, palestrante especialista em economia doméstica e direitos dos consumidor. Autor do livro Paz, Saúde e Crédito e do Projeto Educação Financeira

Comentários

Comentários