Economia & Negócios

Vendas a longo prazo em lojas e supermercados estimulam o consumo

Da Redação
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Cheques pré-datados e parcelamentos a perder de vista. Estas são algumas estratégias que estabelecimentos comerciais de Bauru têm adotado para atrair os consumidores. Lojas e supermercados perceberam que a facilidade na forma de pagamento é um fator determinante para aumentar ou diminuir o volume de vendas, principalmente com a chegada das festas de final de ano – período em que consumo de bens e alimentos é tradicionalmente maior do que no restante do ano.

Uma rede de supermercados de Bauru começou nesta semana uma promoção em que aceita cheques pré-datados para 6 de janeiro do próximo ano. Já na loja de confecções da empresária Mônica Rothberg, o cliente pode preencher o cheque para 70 dias após a compra. Em outra rede de supermercados, o consumidor também pode prorrogar o pagamento para 45 dias.

Todas estas facilidades têm um lado negativo e outro positivo, tanto para a empresa quanto para o consumidor. No caso das empresas que adotam a política de protelar pagamentos, há o risco de elevar os índices de inadimplência. A diretora financeira de uma das empresas supermercadistas consultadas pela reportagem, Tereza Zogheib, afirma que a empresa aceita hoje cheques pré-datados para no máximo 45 dias, pois já teve prejuízos no passado por conta de prazos maiores que eram fornecidos aos clientes.

“Pelas estatísticas, 40% do que uma pessoa ganha, ela gasta no supermercado. Se esta pessoa não consegue pagar no primeiro mês, dificilmente conseguirá pagar no mês seguinte, porque as necessidades de consumo continuarão existindo”, ressalta. Segundo a diretora financeira, a inadimplência era 20% maior quando a empresa oferecia prazos de 60 dias para pagamentos com cheque pré-datado.

Em contrapartida, as vendas a longo prazo representam um percentual bastante significativo no montante total. Zogheib explica que 35% do faturamento da empresa corresponde às vendas com pagamento posterior à compra, ou seja, com cheques pré-datados.

O gerente de compras de outra rede de supermercados bauruense, Marcos Renato Lourenção, explica ainda que as facilidades de pagamento estimulam o consumidor que não tem condições financeiras de adquirir todos os produtos que deseja. “Esta é uma maneira de o cliente comprar uma gama maior de produtos, pois assim ele tem acesso a bens que não poderia levar em um único pagamento”, salienta.

Apesar de parecer fácil, alongar as dívidas não é algo tão simples. Preocupadas com os índices de inadimplência, a maioria das empresas vende a prazo apenas para clientes cadastrados. E para fazer um cadastro, é necessária uma consulta aos dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e à Serasa. Caso o nome do consumidor conste na lista de uma destas empresas, o cadastro não é efetivado e a compra só poderá ser feita com pagamento à vista.

Por outro lado, os clientes que quitam seus parcelamentos ou pré-datados em dia acabam estabelecendo um vínculo com a empresa e passam, com o tempo, a ganhar prazos maiores para pagar suas contas. Lourenção ressalta que o comprometimento do cliente com seus débitos é sinal de que ele merece crédito. “O cliente que se cadastra faz a primeira compra com cheque pré para 30 dias e, com a constância de compras e comprovação de pagamentos em dia, ele vai ganhando cada vez mais prazo. Esta é uma relação de confiança”, expõe.

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Consumidores

As pessoas que optam por pagamentos a prazos longos têm a vantagem de consumir de imediato algo que financeiramente parecia inviável, bem como trocar uma dívida por um planejamento orçamentário um pouco mais apertado. A professora Celeide Cardoso prefere parcelar contas pequenas, como gastos no supermercado, pela ausência dos juros.

“Eu acho vantajoso pagar depois de 45 dias, sem juros. Porque faço uma compra grande e tenho tempo para receber um próximo salário e quitar este débito”, salienta.

Já a economista Joelma Mondelli explica que ora compra à vista, ora a prazo, dependendo da necessidade e da vontade de consumir. “Tenho uma estimativa de quanto gasto, mas às vezes estou apertada no final do mês e quero muito comprar algo, daí acabo jogando para o mês seguinte. É o consumismo”, resigna-se.

A postura do vendedor técnico Eduardo Del Rio vai na contramão dos demais entrevistados: ele sempre paga à vista. “Faço planejamento e compro apenas aquilo que está dentro de minhas possibilidades.”

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