Bairros

Hospital deixa 37 sem quimioterapia

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Trinta e sete pacientes do Hospital Manoel de Abreu não estão fazendo tratamento quimioterápico devido à falta do remédio Fluoro-Uracil. Fabricado pioneiramente pela I. C. N. Farmacêutica, a droga é destinada às sessões de quimioterapia para pacientes com tumores cancerígenos no intestino, fígado, estômago, mama, ovário e vias urinárias. Segundo a diretoria do hospital, a interrupção foi causada pela ausência do remédio no mercado, que já dura dois meses. No Hospital Amaral de Carvalho, porém, nenhum paciente está sem tratamento.

Atualmente, 600 pessoas fazem quimioterapia no Manoel de Abreu, das quais 53 precisam do tratamento à base do sal Fluoruracila (nome do princípio ativo do Fluoro-Uracil). Desses 53 pacientes, 37 estão sem fazer as sessões de quimioterapia. A última remessa, que chegou ao hospital na sexta-feira passada, foi suficiente para atender apenas 16 doentes. “Chegaram somente 190 ampolas, que já acabaram”, revela Reinaldo Rocha, superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que administra o Hospital Manoel de Abreu.

Os pacientes que receberam o medicamento foram os que estavam atrasados há mais tempo. “O critério foi técnico. Os pacientes que fizeram quimioterapia com o remédio foram os que estavam mais atrasados e os que apresentavam caráter mais urgente”, revela Rocha.

O laboratório I. C. N., de acordo com ele, suspendeu parcialmente a fabricação do Fluoro-Uracil, para se adequar às novas normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Rocha lembra que o hospital fez quatro pedidos a diferentes distribuidores, mas nenhum foi entregue. “No total, encomendamos 1.600 ampolas do medicamento”, esclarece. Mas apenas uma das distribuidoras assegurou que faria a entrega ainda nesta semana. “Estamos aguardando. A qualquer momento o remédio pode chegar”, observa o superintendente.

Gilséia Peres, assistente social da Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC), acredita que a suspensão do tratamento poderia ter sido contornada se houvesse um estoque regulador do medicamento. “Nós orientamos os pacientes que não receberam o remédio a falar com a Ouvidoria do hospital. Todos os pacientes merecem tratamento”, afirma.

Já Rocha argumenta que o hospital possuía um estoque regulador suficiente para um mês. “A partir do momento que o remédio começa a faltar no mercado, fica impossível estocar”, rebate.

Os genéricos do Fluoro-Uracil também estão em falta no mercado. “Não estamos conseguindo atender a demanda”, revela Bruno Zafaneli, representante de vendas da Eurofarma, laboratório que fabrica o Fluoruracila, correspondente ao medicamento do laboratório I. C. N.

Na região, o Hospital Amaral de Carvalho, em Jaú, também passa por dificuldades em encontrar o medicamento, porém nenhum paciente ficou sem o tratamento. O estoque regulador do Fluoro-Uracil em Jaú, também tem previsão de um mês.

“A gente consegue comprar, mas está difícil”, define Domingos Pena, do departamento de compras da entidade. “Apesar disso, ninguém ficou sem tratamento e tudo está sob controle”, esclarece.

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Tratamento

Com a experiência de mais de 30 anos na área, o oncologista Carlos Eduardo Araújo Antunes, garante que a suspensão de quimioterapia com o remédio Fluoro-Uracil não vai comprometer o tratamento de nenhum paciente. “O Fluoro-Uracil é um remédio barato, de fabricação simples e facilmente substituível”, esclarece.

Exatamente por ser um medicamento tão simples, o médico se mostrou espantado pela falta dele no mercado. “É um medicamento usado em todo o mundo há décadas. Fico surpreso que esteja em falta”, revela.

Aos pacientes que ainda aguardam o remédio, Carlos Antunes explica que o máximo que pode acontecer é uma alteração na estrutura do tratamento, uma vez que o Fluoro-Uracil é apenas um dos componentes da quimioterapia. “Ninguém vai sofrer dano maior com o atraso”, garante.

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