Brasília - O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), afirmou ontem que a oposição não aceitará “cerceamento” do trabalho da CPI dos Bingos e criará uma comissão somente para investigar a morte do prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT), caso o Supremo Tribunal Federal (STF) impeça a CPI dos Bingos de fazer esse trabalho.
O ministro Jacques Wagner (Relações Institucionais) disse ontem que existem setores do governo, incluindo alguns ligados à área jurídica, que defendem uma ação no STF contra a CPI dos Bingos. Segundo o Planalto, a comissão está fugindo do foco ao tratar da suspeita de corrupção em prefeituras do PT, como Santo André. “Não aceitaremos cerceamento do governo ao trabalho de uma CPI. Se isso ocorrer é porque o governo está com medo da investigação e a oposição no Senado não terá outro caminho se não criar uma CPI para investigar somente o caso Santo André”, disse Bornhausen. Segundo ele, a comissão tem fato determinado mas precisa ter “elasticidade”, já que ela foi instalada mais de um ano após seu pedido de criação, devido à ação do governo.
Originalmente o objetivo era investigar suposta cobrança de propina pelo ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz. Membros da CPI dos Bingos no Senado também reagiram à declaração de Wagner.
“Por que o governo quer assumir a defesa de suspeitos de corrupção e até de homicídios? Não tem o governo legitimidade, nem jurídica nem ética, para impedir o poder de investigação do Congresso Nacional”, disse em nota, lida no plenário, o relator da CPI, senador Garilbaldi Alves Filho (PMDB-RN). Presidente substituto da CPI na sessão de ontem, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), mandou registrar a nota como posição oficial da comissão. A principal crítica do governo é com relação à investigação do assassinato do ex-prefeito petista de Santo André (SP), Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002.
Os senadores investigam se o ex-prefeito foi morto devido a suposto esquema de corrupção, montado para o PT, da qual teria conhecimento Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Carvalho está convocado para uma acareação com João Francisco e Bruno Daniel, irmãos do ex-prefeito, na próxima quarta. Eles afirmam ter ouvido do chefe-de-gabinete de Lula um relato sobre a corrupção após a morte de Celso Daniel. Carvalho nega.