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Com moto, lombada multa 272% mais

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Equipada para também multar motocicletas, a nova lombada eletrônica instalada na quadra 21 da avenida Nações Unidas, no sentido Centro/bairro, está autuando mais que a antiga. Nos primeiros dez dias de funcionamento do equipamento, de 1 a 10 deste mês, 39 motos e dois carros foram multados no local, um aumento de 272% em comparação com o número de veículos flagrados em velocidade acima da permitida para via no mesmo período de junho deste ano.

Foram autuadas quase 20 motos para um carro. Entre os dias 1 e 10 de junho, 11 dos 122.334 veículos que passaram pelo ponto de fiscalização foram multados. No mesmo período deste mês, quando a nova lombada já estava funcionando, 152.569 veículos passaram pelo local, dos quais 39 motos e dois carros foram autuados, segundo balanço divulgado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A velocidade máxima no local é de 60 quilômetros por hora.

A comparação dos dois períodos revela redução de quase 82% no número de veículos de quatro rodas multados pela nova lombada. Porém, apesar da cidade ter mais carros que motos, foram autuados 39 veículos de duas rodas. Em abril, estavam registrados em Bauru 23.544 motocicletas e 112.798 carros, caminhonetes, ônibus e caminhões.

Apesar do número muito superior de carros em comparação ao de motos, os veículos de duas rodas foram os mais multados na lombada da Nações Unidas. A Emdurb, informa a assessoria de comunicação, acredita que a tendência é, com o passar do tempo, cair o número de motos multadas, como ocorreu com o de veículos quatro rodas na ocasião da instalação dos radares e lombadas eletrônicas em Bauru, em maio de 2000.

No primeiro mês de funcionamento da lombada eletrônica da quadra 21 da Nações Unidas, sentido Centro/bairro, em 2000, a média de multas era de 11 veículos por dia. Agora, com a nova lombada, que multa carro e moto, foram quatro por dia.

Mototaxistas

Os mototaxistas, que por força de profissão transitam muito pela cidade, inclusive pela Nações, estão em alerta. “Eu continuo passando pela Nações porque é meu caminho, mas reduzo a velocidade quando chego perto da lombada”, conta José Luiz Sapata, que sempre está lembrando os colegas da fiscalização eletrônica da velocidade no local.

Marco Antônio dos Santos, outro mototaxista que sempre transita pela Nações Unidas, faz o mesmo. “Eu passo (pela lombada) a 30, 35 quilômetros por hora, mas logo depois acelero um pouco, mas é perigoso a gente esquecer. Um colega aqui do mototáxi passou por lá de madrugada em velocidade compatível e o flasch disparou. O estranho é que a velocidade (da moto) não apareceu na lombada”, relata.

Se receber a multa, Santos adianta que a itenção de seu colega é recorrer. “Além do valor que tem que pagar, o problema são os pontos. A gente não pode ter a carteira suspensa”, comenta.

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Recursos

Já um taxista, que preferiu não ter o nome divulgado, reclama que levou uma multa no radar instalado no viaduto Antônio Eufrásio de Toledo que seria de uma moto. “Um pouco antes do radar, reduzi a velocidade, momento que passou uma moto pesada em alta velocidade ao lado do meu carro. O flash disparou e eu recebi a multa. Vou ter que entregar a carteira”, conta ele que não recorreu porque achou que não teria como provar que não excedeu a velocidade.

Para a assessoria de comunicação da Emdurb, é impossível o radar captar a velocidade da moto e fotografar a placa do carro porque o equipamento funciona com dois sensores de velocidade no chão. Desta forma, o veículo mais rápido passaria primeiro no segundo sensor para depois o flash ser disparado.

Porém, o advogado Bruno Deak Vanini, que atua na área de trânsito, afirma que já recorreu de multas em casos semelhantes e obteve êxito. “A defesa prévia não foi acatada, mas o recurso (posterior) foi acatado porque pedimos a microfilmagem, que mostrou uma moto ao lado do carro que foi multado”, relata.

Após a instalação da lombada para motos, Vanini já atendeu motociclistas multados. Ele ressalta que é possível apresentar recurso mesmo em casos de autuações com base na fotografia do veículo. “Sempre há lacunas na lei”, frisa.

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