Bairros

49 árvores nativas da região são adequadas para plantio na cidade

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Ipê, sipibiruna, canelinha, pata-de-vaca, quaresmeira, chuva de ouro são as espécies de árvores nativas da região adequadas ao paisagismo mais encontradas nas praças, jardins e passeios públicos de Bauru. Mas existem outras, também da região, igualmente propícias para serem plantadas na cidade. Ao todo, são 49 espécies arbóreas indicadas para serem cultivadas na cidade, segundo estudo que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) divulgou ontem.

Integram a lista, espécies não tão comuns na cidade como aroeira-pimenteira, calabura, cedro, cambuco e pau-d’alho, e outras que são muito difíceis de serem encontradas, como ingá, pau-brasil e pequi. Além de listar as árvores nativas adequadas para paisagismo, o estudo também informa a altura, diâmetro do tronco, épocas de floração e frutificação de cada espécie e até se atraem ou não atraem pássaros.

Rubens de Miranda Benini, diretor do Departamento de Zoobotânica da Semma, explica que a lista foi elaborada para ajudar o morador a escolher a árvore adequada para plantar em frente sua casa. O objetivo da Semma é aumentar a arborização da cidade com espécies adequadas para paisagismo, cujas raízes não danifiquem calçadas e até os imóveis, e as folhas não atrapalhem a fiação elétrica.

Atualmente, lembra Benini, Bauru tem muitas árvores de espécies inadequadas para paisagismo, como ficus. Zilá Bosco, que moro na quadra 3 da rua Theodoro Gavaldão, no Núcleo Mary Dota, sabe bem do que ele está falando. “Quando mudei para cá, o ficus já estava grande. As raízes da árvore levantaram a calçada e racharam o piso do meu quintal. Para piorar, ficou torta, com risco de cair sobre o muro ou sobre carro estacionado na rua depois que um caminhão bateu nela”, relata.

Depois de vários contatos na Semma, finalmente ontem Zilá solicitou oficialmente o corte do ficus. “Quero plantar um chorão (falso-chorão) no lugar. É importante ter árvore em frente de casa, mas ficus, não dá”, afirma ela, que sentiu diferença ao mudar-se do Núcleo Gasparini, bairro com mais árvores, para o Mary Dota. “Aqui é mais quente porque não tem árvores”, compara.

Zilá já poderá recorrer à lista de espécies árboreas da Semma para escolher outra árvore para plantar na calçada de sua casa, desta vez mais adequada ao local e a seu gosto. Além de evitar futuras podas drásticas devido à altura incompatível com a rede elétrica, rachaduras de calçadas, Benini explica que o estudo permitirá a diversificação de espécies plantadas.

Levando em conta as particulariedades de cada espécie, ressalta, é possível compor belas paisagens urbanas e domiciliares e ainda contribuir para melhores condições de vida. “A árvore reduz o calor e, dependendo da espécie, absorve até 70% da chuva que cai a seu redor”, comenta.

• Serviço

Os interessados em adquirir mudas nativas devem procurar os viveiros comerciais ou a Semma pelo telefone (14) 3235-1037. Os dados das espécies catalogadas estão na Internet no site www.bauru.sp.gov.br

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Semma prepara mudas

Visando ter mudas das árvores nativas da região de Bauru para todos os interessados, agora a Semma está coletando sementes das espécies catalogadas, avaliando-as para cultivá-las no viveiro municipal. Atualmente, as espécies disponíveis em maior quantidade são quaresmeira e pata-de-vaca.

Mas o titular da pasta, Carlos Barbieri, frisa que são distribuídas gratuitamente mudas somente para o plantio em passeios públicos. “Não temos condições de atender quem quer mudas para plantar em sítios, por exemplo”, explica.

Se depender de uma moradora da quadra 8 da rua Aparecida, no Jardim Santana, o viveiro municipal terá mudas de cedro, uma das 49 espécies catalogadas, para oferecer à população. Ela prefere não ter a identidade divulgada, mas conta que tem muita estimação pela árvore. “Meu filho plantou o cedro em 1979, semente de uma árvore do sítio que temos. Eu já tentei fazer mudinhas com as sementes que caem, mas não consigo. Se quiserem vir colher as sementes, eu iria agradecer”, diz.

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