Economia & Negócios

Tarifa de ônibus fica mais cara em Bauru a partir de amanhã

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A tarifa dos ônibus do transporte coletivo de Bauru estará mais cara a partir de amanhã. O valor do passe comum passará dos atuais R$ 1,50 para R$ 1,60 (aumento de 6,67%). Já o passe-integração subirá de R$ 1,90 para R$ 2,00 (alta de 5,26%). O decreto n.º 10.094, que trata do reajuste, foi publicado no Diário Oficial do Município do último dia 24, entrando em vigor amanhã.

As discussões sobre o aumento da tarifa dos coletivos começaram oficialmente no dia 12 do mês passado, quando as três empresas que operam o sistema de transporte coletivo na cidade protocolaram o pedido de reajuste.

A planilha de custos elaborada inicialmente pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) a pedido da Transurb (associação que representa as três empresas do sistema de transporte coletivo) apontou que o custo atual do sistema é de R$ 1,64 para o bilhete comum e R$ 2,07 para a integração.

Entretanto, o Conselho de Usuários optou por sugerir os valores de R$ 1,60 e R$ 2,00, respectivamente, que no dia 21 de setembro foram aceitos e autorizados pelo prefeito Tuga Angerami (PDT). Conforme o JC divulgou, a Transurb já havia solicitado reajuste de tarifa em abril, mas o pedido foi negado.

Para o economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) Reinaldo Cafeo, o reajuste da tarifa não deve resultar na dispensa de serviços como o das diaristas, que geralmente recebem o passe de ônibus dos patrões. Por outro lado, no início pode resultar em mudança de hábitos de algumas pessoas na tentativa de amenizar o impacto do aumento, que ao final de um mês faz uma significativa diferença para quem depende do transporte coletivo.

“Independentemente de quem pagará o reajuste, haverá um impacto financeiro. Pelo valor atual do passe comum (R$ 1,50), contabilizando os 22 dias úteis de um mês chega-se à quantia de R$ 66,00 para uma pessoa ir e voltar do trabalho utilizando dois passes por dia. Com a nova tarifa, esse gasto mensal passará a ser de R$ 70,40”, calcula o economista.

Ainda na avaliação de Cafeo, para quem paga a tarifa do próprio bolso pode haver duas reações. A primeira seria a de mudar hábitos, como buscar alternativas para utilizar menos o transporte coletivo. Num segundo momento, há a tendência da acomodação. Ou seja, as pessoas desistem de abrir mão do ônibus e deixam de gastar com outras coisas - como o lazer ou compra de supérfluos - como forma de compensação.

Nos últimos dois anos, as empresas que operam no transporte coletivo da cidade têm procurado cortar gastos para manter o equilíbrio financeiro do sistema. Há quatro meses, por exemplo, os coletivos estão circulando sem cobradores após as 20h. A medida, que visou reduzir o pagamento de horas-extras dos trabalhadores, também proporcionou reajuste salarial de 6,1% para os motoristas e cobradores.

As concessionárias foram beneficiadas, ainda, pela mudança no sistema de transporte dos servidores da prefeitura. Anteriormente eles utilizavam ônibus fretados, mas desde maio deste ano, passaram a receber vale-transporte. Cerca de 2.140 funcionários contam com o benefício, que gera custo mensal de R$ 160 mil para a prefeitura.

Até o ano passado, as concessionárias eram remuneradas com base na Câmara de Compensação Tarifária (CCT), criada em 1995 para calcular a distribuição dos valores arrecadados entre as empresas. Com a extinção do sistema, em dezembro, as operadoras passaram a receber por passageiro transportado.

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