Durante audiência realizada ontem na Justiça do Trabalho de Bauru, entre representantes da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sindtran) e da oposição, as partes chegaram a um acordo. Segundo o advogado do sindicato, José Marques, a diretoria da entidade vai tentar entrar em contato com os trabalhadores associados para que eles decidam, em assembléia, que querem fazer eleição para escolher uma nova diretoria.
Segundo Marques, a contar da próxima segunda-feira a atual diretoria tem prazo de cinco dias para apresentar a relação de associados. Feito isso, passa a correr um período de 15 dias para o preenchimento de um abaixo-assinado com nomes favoráveis à realização da assembléia. O acordo foi feito diante do juiz André Luiz Alves, da 1.ª Vara do Trabalho.
“Do total de 1.500 sócios do sindicato, é preciso ter no mínimo 15% requerendo a realização da assembléia. Se for apresentado o abaixo-assinado dentro do prazo, conta-se 24 horas para que seja feita uma eventual impugnação. Se isso não ocorrer, o sindicato tem um novo prazo, de dez dias, para marcar a data da assembléia que decidirá se a categoria quer ou não uma nova eleição”, explica Marques.
Se a assembléia for favorável à escolha de uma nova diretoria, passa a correr um prazo de 30 a 150 dias para que a eleição seja efetuada, dentro das regras do estatuto social do Sindtran. Por enquanto, continua à frente do sindicato a atual diretoria.
O conflito envolvendo o Sindtran começou no dia 28 de setembro com a prisão em flagrante dos sindicalistas Elias Pinheiro da Silva (presidente da entidade), Paulo Henrique Del Rey, João Antonio Pazoni, Mário Aparecido Henrique e Benedito Donizete da Silva.
Eles foram detidos em flagrante pela Polícia Militar de Araçatuba, acusados de tentar extorquir em R$ 60 mil do representante de uma empresa daquela cidade. Alguns dias depois, os cinco foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória de São José do Rio Preto, onde ainda permanecem.
No final de setembro, uma junta governativa, composta por membros da oposição à atual diretoria do Sindtran, foi formada e chegou a destituir os diretores. Depois, porém, por meio de uma liminar judicial a diretoria do Sindtran reassumiu.
Para tentar resolver o impasse, o juiz da 1.ª Vara do Trabalho marcou, ontem, uma audiência entre as partes.