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Após 40 dias de detenção, Maluf precisa de psiquiatra, diz médico

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Paulo Maluf está psicologicamente perturbado e precisa de tratamento psiquiátrico. Após 40 dias na prisão, ele está tomando antidepressivos, chora, fala coisas sem nexo e tem dificuldade para se comunicar até mesmo com pessoas íntimas dele. Com essas palavras, o médico Sérgio Nahas descreveu o estado de saúde do ex-prefeito, que ontem passou por uma rodada de exames no Hospital Sírio Libanês, um dos melhores de São Paulo.

Apesar de ser especialista em doenças do sistema digestivo, e não em psiquiatria, Nahas observou que a alteração de comportamento de Maluf é delicado e afirmou que o ex-prefeito tem uma doença de comportamento. “Ele precisa de cuidados médicos e chegou a ser atendido por psiquiatras na Polícia Federal (PF). Ele não está bem. No é só doença orgânica, ele tem uma doença de comportamento. Vocês o conhecem melhor que eu, ele não é assim (catatônico), com essa indisposição generalizada expressa no rosto dele. Mas não compete a mim julgar, estou apenas observando o que aconteceu.”

Nahas entende que esse transtorno foi gerado pelo trauma que Maluf teria sofrido durante os 40 dias em que esteve preso na carceragem da Polícia Federal em São Paulo. Por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-prefeito e seu filho Flávio foram soltos ontem.

“Ele está muito mal emocionalmente. Tem dificuldade para se comunicar, para articular as frases, palavras. O quadro emocional dele é o que mais preocupa agora. Não tem muito antídoto para o mal ao qual ele foi submetido (de passar 40 dias preso).”

Sobre se a atitude incomum do ex-prefeito (retraído e calado em vez de expansivo) seria uma estratégia de “vitimização” de Maluf, isto é, um fingimento para atenuar os ânimos contra ele, Nahas foi enfático: “Levar por esse lado é fazer mal juízo de mim também. Eu parto do princípio que aquilo que faço tem bases fundamentadas em 30 anos de trabalho”.

Segundo Nahas, a perturbação psicológica acabou agravando o estado físico do ex-prefeito, mas ele entende ser normal essa reação em virtude do “quadro acentudado de estresse”. “Ele é um homem de 74 anos, é um paciente cardiopata, coronariopata, hipertenso, já teve um infarto, problema de próstata, hérnia de hiato, uma gastrite, e ainda foi exposto a esse estresse. Todo esse elenco de doenças citadas têm fotografia e está muito bem documentado.”

Um dos argumentos dos advogados de Maluf quando pediram a prisão domiciliar dele era que o ex-prefeito estava com problemas de saúde.

O primeiro dia

Em seu primeiro dia de liberdade depois de passar 40 dias sob vigilância policial, Maluf acordou por volta de 7h15, segundo seu assessor político Jesse Ribeiro, que às 9h visitou o ex-prefeito.

De acordo com o assessor, Maluf tomava café da manhã com sua mulher, Sylvia, quando ele chegou. Saiu de casa às 10h20, sem ter feito a barba, rumo ao Sírio Libanês, onde chegou 20 minutos depois acompanhado de assessores e escoltado por seguranças.

Antes de sair do santana azul (que o levou à Polícia Federal quando foi preso e o buscou de lá), Maluf pediu por Sylvia, que foi ao seu encontro e o pegou pela mão. Sentou-se em uma cadeira de rodas e entrou em um elevador. Saiu de lá às 16h40, quando voltou para sua casa.

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