São Paulo - Dez dias de investigação após o perito criminal Carlos Delmonte Printes, 55 anos, ter sido encontrado morto em seu escritório em São Paulo, a Polícia Civil afirma que a tese de suicídio ganhou força nos últimos dias, após terem sido tomados 16 depoimentos.
Segundo o delegado que preside o inquérito, José Antônio do Nascimento, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), não foi descartada a hipótese de homicídio, porém todos os trabalhos realizados pela polícia levam a crer que o perito tenha se suicidado. Printes foi quem examinou o corpo do prefeito Celso Daniel (PT), de Santo André (SP), assassinado em janeiro de 2002, e concluiu que ele havia sido torturado.
Para Nascimento, que falou ontem em entrevista coletiva pela primeira vez, a hipótese de suicídio foi reforçada com uma segunda carta de Printes, que ele deixou para a mulher, Luciana Plumari.
Na carta, divulgada anteontem pelo jornal “O Estado de São Paulo”, Printes pede que suas cinzas fiquem ao lado das cinzas do pai de Luciana, morto em 2003. “É meu último pedido que as minhas cinzas fiquem ao lado dele (sogro) e perto de você (Luciana)”, diz trecho da carta. Além dessa carta e de outra que Printes deixou para seu filho Guilherme, onde dá instruções caso venha a morrer, Nascimento afirma que os depoimentos tomados de legistas, da família e de pessoas próximas ou que tiveram contato com ele antes de sua morte sustentam a tese de suicídio. O Ministério Público de São Paulo não descarta que Printes tenha sido envenenado por alguém, por exemplo.
Para o delegado do DHPP, Printes pode ter ele próprio se envenenado ou pode ter acontecido o que chama de suicídio passivo. “É quando você deixa de tomar certos remédios, certos cuidados médicos.”
Segundo Nascimento, o depoimento tomado anteontem pela polícia do perito Paulo Vasquez, amigo de Printes desde a adolescência, é esclarecedor em favor do suicídio. “Paulo, médico psiquiatra legista, é conclusivo em dizer que o quadro de Printes era um quadro depressivo grave evolutivo.”
Segundo o delegado explica, os depoimentos revelaram que, nos últimos dias antes de sua morte, Printes tinha choros compulsivos. “Bastava alguém perguntar se ele estava bem que ele caía no choro.” Outra conclusão que a polícia tirou dos depoimentos tomados até agora é que a morte de Printes não tem relação com ameaças sofridas por ele.
Segundo o delegado, “não foi encontrado nenhum registro em boletim de ocorrência que conste Printes como vítima de ameaça”, além de nenhuma das pessoas ouvidas ter mencionado isso em depoimento. Confrontado com a opinião da família, que descarta suicídio, Nascimento afirma que é comum a família relutar em aceitar o fato.
Para ele, o depoimento da sogra de Printes, Vasti Plumari, também reforça o suicídio. Em telefonema por volta das 17h do dia 11, um dia antes de seu corpo ter sido encontrado, Printes ligou para a sogra e disse que aquela era a última vez que eles se falavam. Para o delegado do DHPP, não há hipótese para como o perito tenha morrido e, para isso, “o laudo do Instituto Médico Legal (IML) é imprescindível”. “Isso (como ele morreu) é um grande mistério”, afirma Nascimento. O laudo conclusivo do IML deve sair na próxima semana.