Do lado do sim no referendo de amanhã estão a Rede Globo, suas estrelas e por que não a bancada do PT? O sim também tem a seu favor os altos índices de violência que descolorem a vida dos verdadeiros cidadãos. Já o não vem crescendo, investindo justamente no ponto fraco da campanha favorável ao desarmamento, que é sua própria legitimidade. O primeiro erro grave foi a formulação infeliz da pergunta: “Você é a favor da proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil?”. Se optar pelo sim estarei afirmando que sou contra o comércio de armas e munição. Se respondo não estarei votando a favor do comércio, ou seja, sim ao comércio.
Fica claro que essa pergunta poderia ser mais direta para não confundir o cidadão. Agora, afirmar que a má formulação da pergunta foi propositadamente para confundir o povo e favorecer um dos lados talvez seja um pouco demais. O que dá para afirmar é que as duas frentes poderão ser prejudicadas ou favorecidas. Outro ponto frágil do sim é o de ter a seu lado a própria Globo, o que teoricamente seria um “corpo de vantagem” vem se tornando um dos argumentos que fundamentam a “simplicidade” da campanha do não e levando aquele mero expectador para seu lado. O não acaba crescendo mais pelas falhas do sim do que pelos seus méritos.
Ao meu movo de ver, o não circunda muito na questão da “perda dos direitos”, tenta, de maneira um pouco vulgar, remeter a população ao período ditatorial. Precisamos de uma discussão mais sadia, onde o que fica em primeiro plano é o direito à vida.
Não posso deixar de expor a minha opinião favorável ao desarmamento porque, independentemente de qualquer campanha, a arma nunca nos trará nada de construtivo. O desarmamento não será o fim da violência, mas sim o início de discussões e ações conjuntas entre sociedade civil, iniciativa privada e governo sobre políticas sérias que combatam de frente as reais causas das mortes violentas no Brasil e no mundo.
Leandro Vinícius