Cultura

Um escritor e um beb

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Histórias dentro de histórias são brincadeiras de escritor, metalinguagem divertida para discutir, entre outros temas, o próprio ato de criar histórias. É o caso de “O Bebê de Reginaldo”, comédia policial com direção de Luiz Carlos Tourinho, com o próprio e Karina Sbruzzy no elenco, e que tem duas sessões nesse final de semana em Bauru.

Tourinho, também protagonista, interpreta Pedro Fonseca, um autor frustrado, amargo e egoísta, que vive em uma pequena quitinete em um prédio com 12 apartamentos por andar. Quando o público o conhece, ele está escrevendo “O Assassino do Edifício Maracanã”, história policial em capítulos, vendida em bancas de jornal, que tem como personagem o serial killer Reginaldo - que nada mais é do que alter-ego do autor vingando-se das pessoas que o aborrecem, especialmente em seu próprio condomínio.

Quando um bebê é deixado na porta de Pedro, ele é obrigado a conviver com a criança, sabendo do seqüestro de um bebê com as mesmas características “do seu”. Chamar a polícia é uma opção descartada, pois ele pensa que ninguém acreditará que não é, ele próprio, o seqüestrador. E como brincadeira, metalinguagem, tudo o que Pedro vive também acontece com Reginaldo. A realidade é elemento de inspiração para o romance até que se saiba qual das histórias está sendo contada ao público.

Em entrevista ao JC Cultura, Tourinho ressalta que a peça está estreando no Interior. “Bauru será a segunda cidade, depois de Marília. Só consegui palco no Rio para o ano que vem, mas normalmente o público do Rio esnoba um pouco. O público do Interior é mais carinhoso, mais caloroso. Vai ser importante estrear a peça por aí”, comenta, ressaltando que a tensão e o nervosismo com a estréia existem em qualquer lugar.

Segundo o ator e diretor (atualmente no ar em “Sob Nova Direção”), a peça tem caráter positivo ao abordar a rotina dos personagens. “Ela fala da esperança do ser humano, dentro da relação de patrão e empregado”, diz. No espetáculo, Karina se divide em três personagens: Luzia, a empregada do autor, a síndica do prédio e ainda o porteiro Severino.

Sobre ter apenas dois atores em cena, Tourinho ressalta a dificuldade de produção com um elenco maior. “Há textos maravilhosos que são com muitos personagens, porém trabalhar com um grupo menor, às vezes, não é uma escolha, é a única opção que a gente tem. No caso, o texto foi pensado em ser com dois atores para que pudéssemos viajar e viabilizar a produção”, aponta.

• Serviço

“O Bebê de Reginaldo”, com sessões hoje, às 21h, e amanhã, às 20h, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves (avenida Nações Unidas, 8-9). Ingressos a R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada), com preço promocional antecipado e limitado de R$ 24,00, à venda na bilheteria. Informações: (14) 3235-1072.

Comentários

Comentários