A 32.ª edição da Grand Expo Bauru, que terá início na próxima quinta-feira no Recinto Mello Moraes, promete ser um dos maiores eventos de resgate das tradições caipiras da região.
E os preparativos para a festa começaram a esquentar com uma cavalgada seguida da tradicional “Queima do Alho”, realizadas ontem na cidade. Oito comitivas, reunindo cerca de 70 mulas e cavalos e três carroças, participaram da confraternização, segundo Orlando Lamônica Júnior, presidente Associação Rural do Centro Oeste (Arco).
Nem mesmo a chuva fina tirou a animação dos cavaleiros e amazonas que formaram as tropas. Gisele dos Anjos e Renata Aparecida dos Santos participaram pela primeira vez da cavalgada. “A expectativa é muito grande. Cada passeio é uma emoção”, diz Anjos. Ela faz parte da comitiva Origem da Terra, composta por dez integrantes.
A cavalgada saiu por volta das 10h30 do recinto, percorreu as avenidas Comendador José da Silva Martha e Getúlio Vargas, seguiu até o aeroporto e retornou pelo mesmo trajeto. Durante o percurso, as tropas atraíram a atenção das pessoas.
Segundo Lamônica Júnior, a idéia é aproximar a população das antigas tradições do homem do campo. “Essa congregação das comitivas e dos participantes visa mostrar para o público urbano o que é feito no meio rural, que se destaca pela simplicidade e inocência”, diz.
“Antigamente as comitivas, que levavam o gado de uma cidade para outra, precisavam levar uma cozinha itinerante, suprimentos e remédios nas carroças. No meio do caminho o cozinheiro saía na frente para preparar a comida para os outros cavaleiros”, detalha Lamônica.
A confraternização de ontem buscou justamente retratar esse cenário. Renato Húngaro, integrante da comitiva Gold Ranch, de Piratininga, faz questão de participar de todos os eventos do gênero.
“É uma tradição que nós procuramos manter, trazendo os animais da forma como nossos pais e avós os conduziam. A cavalgada é uma reunião entre familiares e muleiros”, aponta Húngaro.
Vagner Simionato, da comitiva VC Treinamentos, concorda. “É uma reunião familiar que resgata as tradições antigas e que todos nós gostamos”, diz.
Tempero tradicional
Outro destaque do evento de ontem foi a “Queima do Alho”, concurso gastronômico no qual duplas de cozinheiros preparam o almoço dos cavaleiros e amazonas. O cardápio era composto pelo tradicional arroz-de-carreteiro e feijão-tropeiro.
A competição é avaliada por juízes, que escolhem a comida mais saborosa preparada em menor tempo possível. Todas as duplas recebem um kit com a mesma quantidade de mantimentos e devem fazer o prato típico utilizando apenas fogão à lenha e ingredientes não-perecíveis.
A Comitiva Gold Ranch, de Piratininga, foi a vencedora do concurso, com 581 pontos. Em segundo lugar, ficou a Comitiva Bairro Laranjeira, de Avaí, com 563 pontos.
A “Queima do Alho” tem sua origem nas antigas comitivas de peões que transportavam boiadas pelo Interior do País. Como as viagens eram longas, explica Lamônica, os ingredientes precisavam ter alto poder de conservação, a exemplo do alho. “A queima do alho é para dar o sabor ao prato”, diz.