Cultura

VHS em extinção

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Tudo indica que a era do formato VHS (Video Home System) está chegando ao fim. Pelo menos é o que se nota na maioria das locadoras de Bauru. Redução do acervo, diminuição de lançamentos e promoções para liquidar o estoque de fitas em VHS são exemplos de uma tendência que tem causa definida: o surgimento no mercado do aparelho de DVD (Digital Video Disc).

Em uma locadora de Bauru, a procura por filmes digitalizados começou há cerca de dois anos e hoje é responsável por 80% da locação. A informação é da gerente da loja Cibele Cintra. “São raros os clientes que não têm aparelho de DVD. A maioria das locações em VHS é de filmes infantis e feita por pessoas que têm os dois aparelhos, mas preferem o VHS porque é menos frágil”, observa Cintra.

Por conta disso, em muitas lojas da cidade, o acervo de DVD supera o de VHS. Natália Sedano de Oliveira, gerente de uma locadora, afirma que isso se deve às próprias produtoras de filmes. “Alguns títulos só estão disponíveis em DVD e a informação que temos é que a partir do ano que vem não serão mais produzidos filmes em VHS”, coloca Oliveira. A fim de liqüidar com o estoque de fitas em VHS, a gerente vende a preços promocionais os títulos nesse formato. “Nós estamos vendendo quase todo o nosso acervo, porque ocupa muito espaço e não há procura por locação”, afirma.

O mesmo quadro se repete em outra locadora, na qual o proprietário Paulo Luiz Pantaleão deixou de comprar fitas. “Não tem como sustentar lançamentos em VHS. Além de ser mais caro do que o DVD, a procura é baixa”, diz Pantaleão, para quem os aparelhos de videocassete são considerados uma mídia morta.

Nesse contexto, quem não tem o DVD encontra dificuldade para locar os lançamentos. Este é o caso do estudante de Direito João Luíz Bertazzi. “Eu fico impossibilitado de assistir a muitos filmes. Isso é uma forma do mercado te empurrar um produto novo”, analisa. Contudo, o estudante não nega a qualidade do produto digitalizado. “Sem dúvida que o DVD é muito melhor que o VHS, mas deveria haver espaço para os dois”, sugere Bertazzi.

Raridades

Diante dessa nova realidade, o VHS tende a se tornar um artigo de luxo, como o que aconteceu com os LPs. Sorte do motorista Paulo Sacconi Martinez, que coleciona em sua casa cerca de 3 mil filmes nesse formato. “Eu tenho paixão pelo VHS, não dá para explicar. Por mais que acabe, eu sempre vou dar um jeitinho”, afirma.

Mas cultivar a paixão pelo VHS não tem sido fácil. “Eu tenho quatro aparelhos de vídeo, quando algum quebra é difícil encontrar peças para repor. O jeito é comprar outro e usar as peças para consertar o quebrado”, explica o colecionador, que se mantém resistente ao DVD. “Com a minha idade é difícil mexer com essas novas tecnologias”, diz.

Problemas para uns, soluções para outros. Para o colecionador e professor aposentado Leopoldo Zanardi, a chegada do DVD é muito bem-vinda. “A qualidade dos produtos digitalizados é maior, além da longa durabilidade”, expõe Zanardi, que tem cerca de 80 produções entre DVDs e VHSs.

O diretor de departamento de Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Henrique Perazzi, também é adepto da nova tecnologia. Perazzi coleciona em sua casa cerca de 120 filmes nos formatos VHS e DVD. Para ele, a existência de uma nova tecnologia não exclui a anterior. “Sempre vão existir os colecionadores e o charme do VHS”, coloca Perazzi. O diretor ainda faz uma observação sobre o constante desenvolvimento tecnológico: “Hoje nenhuma tecnologia é definitiva. Em breve o DVD também vai se tornar obsoleto”, salienta. Perazzi

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