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Autores dão continuidade a personagens históricos

Por Mariana Botta | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Muitas vezes, quando uma novela acaba, a sensação de nostalgia é inevitável. Personagens que fizeram parte da vida dos telespectadores por meses simplesmente desaparecem depois do último capítulo. Mas eles continuam vivos na cabeça dos autores, que não pensam duas vezes na hora de trazê-los de volta à cena. É o caso do Jamanta (Cacá Carvalho), que já apareceu em “Torre de Babel” e estará de volta em “Belíssima”, trama que substituirá “América” a partir de novembro. Para matar a saudade de alguns personagens inesquecíveis, alguns autores contaram o que aconteceu com cada um deles depois que a novela acabou.

Quem nunca se perguntou o que teria sido da viúva Porcina, personagem de Regina Duarte em “Roque Santeiro” (1987), se a novela não tivesse chegado ao fim? Ou como estaria hoje o ingênuo Sassá Mutema (Lima Duarte), de “O Salvador da Pátria” (1989)? Quem dá as respostas são os próprios criadores. Lauro César Muniz, Marcílio Moraes, Antonio Calmon, Walcyr Carrasco, Silvio de Abreu, Carlos Lombardi e Gilberto Braga aceitaram o convite e deram continuidade às histórias.

Para Muniz, se “O Salvador da Pátria” não tivesse terminado, Sassá teria sido eleito presidente da República. “Ele enfrenta hoje uma crise: partidários foram denunciados por corrupção.” Leonarda Furtado (Fernanda Montenegro) e Jerônimo (Gianfrancesco Guarnieri), a Naná e o Gegê de “Cambalacho” (1986), estariam juntos e felizes até hoje. “Estão cheios de filhos adotivos”, conta o autor Silvio de Abreu, que atuou no último capítulo da trama como o padre do casamento deles. Da mesma novela, Andréa (Natália do Vale), que matou o marido para ficar com a fortuna dele e acabou presa, hoje já teria fugido, depois de seduzir o diretor do presídio. “Vive em uma ilha nos mares do sul, sustentada por um senhor de quase cem anos. Já tentou matá-lo, mas o velhinho é duro na queda”, conta Abreu.

Almas gêmeas

Alguns casais que fizeram história na TV ainda estariam juntos. É o caso de Raí (Marcello Novaes) e Babalu (Letícia Spiller), de “Quatro por Quatro” (1994). “Eles foram felizes para sempre, do jeito deles, brigando pelo menos uma vez por mês. Continuam grudados, mesmo que os dez últimos anos não tenham feito muito bem ao corpo deles: Babalu acabou ficando com muita celulite, e Raí tem uma barriga de dar inveja a senador nordestino”, conta Lombardi.

Petruchio (Eduardo Moscovis) e Catarina (Adriana Esteves), de “O Cravo e A Rosa” (2000), também não se largam. “Continuam juntos, sempre brigando, sempre se amando”, diz Carrasco. De “Bebê a Bordo” (1988), Tonico (Tony Ramos) continua casado com Soninha (Inês Galvão). Lombardi conta que ele teve alguns casos. “Mas, no fim, manteve-se preso à mulher, que virou loira e não sai da Daslu.”

Quem ainda insiste na relação é Lola (Adriana Esteves) e Esteban (Marcos Pasquim), de “Kubanakan” (2003). “Não estão mais casados, mas, para Lola, o que importa mesmo é que ela é louca por ele”, diz Lombardi. O destino de Maria do Carmo (Regina Duarte), de “Rainha da Sucata” (1990), está longe de seu amado. “Ela e Edu (Tony Ramos) se separaram e nunca mais se viram”, conta Abreu.

Jocasta (Vera Fischer) e Tony (Nuno Leal Maia), de “Mandala” (1987), também não se reconciliaram. “Eela está por aí, provocando paixões”, diz Moraes. Xica (Taís Araújo) e João Fernandes (Victor Wagner), de “Xica da Silva” (1996), também se separaram. “Ela envelhece, sozinha, no Tijuco. Ele está em Portugal”, diz Carrasco.

Política

A vida política é o destino mais comum dos personagens inesquecíveis. Todos os autores imaginam que, ao menos um, estaria hoje no poder. Além de Sassá Mutema, Porcina e Sinhozinho Malta (Lima Duarte), de “Roque Santeiro” (1989), Renato Villar (Tarcísio Meira), de “Roda de Fogo” (1986), Tonico (Tony Ramos), de “Bebê a Bordo” (1988), Firmino Espírito Santo (Luis Gustavo), de “Mico Preto” (1990), Vlad (Ney Latorraca), de “Vamp” (1991), e Rubi (Carolina Ferraz), de “Kubanakan (2003), estariam na vida pública.

Para Marcílio Moraes, colaborador de Dias Gomes em “Roque Santeiro”, Porcina e Sinhozinho estariam juntos até hoje. “Eles são pilantras simpáticos. Hoje Porcina seria governadora, e Sinhozinho, ex-governador, candidato à Presidência da República”, diz. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência...

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