Há pouco menos de um mês do início do verão, a zona rural de Bauru, a exemplo da área urbana, já teme pelos possíveis estragos provocados pela temporada das chuvas. No campo, as principais afetadas são as estradas, que têm as condições de tráfego reduzidas, afetando o transporte escolar das crianças, o meio ambiente e até o escoamento de toda a produção das propriedades. O turismo e a saúde não ficam de fora, pois existem diversas áreas de lazer e clínicas de reabilitação espalhadas pela cidade.
Em Bauru, há aproximadamente 153 quilômetros de estradas rurais, de acordo com o último mapeamento realizado pela administração, que é de 1979. Mas, segundo avaliação baseada em fotos aéreas feita pela secretária municipal da Agricultura, Maria Eugênia Gracia, a possível extensão deve atingir cerca de 1.000 quilômetros.
Na opinião de Gracia, a conservação das vias rurais recebeu pouca atenção da prefeitura nos últimos anos, fazendo com que a situação piorasse cada vez mais. Nesse ano, alguns trechos foram recuperados com a ajuda do governo do Estado, mas a própria secretária reconhece que é muito pouco perto do que precisa ser feito.
A Defesa Civil também alerta para as más condições das pontes. A maior parte delas é feita de madeira e suas estruturas devem ser abaladas com o aumento do volume de água nos córregos e rios.
Produtores e trabalhadores aguardam ansiosos por uma solução, afinal, o setor agrícola e agropecuário emprega milhares de pessoas e ajuda a movimentar a economia do município.
O setor demonstra grande preocupação em relação ao assunto, mas se sente impotente diante da situação, pois não têm condições de arcar sozinho com os custos de recuperação de pontes e estradas.
Nos próximos dias, os grupos gestores do Plano Diretor Participativo devem convocar a população rural. Ele querem ouvir dos principais interessados no assunto quais são as dificuldades encontradas no dia-a-dia rural.
A Secretaria Municipal de Agricultura (Sagra) já está definindo o cronograma das reuniões, que deverá ser divulgado em breve. Vários setores da sociedade estão se envolvendo, inclusive a Associação dos Geógrafos do Brasil, que pretende contribuir com algumas idéias sobre como prevenir as erosões.
“Somente com a participação ativa da comunidade rural é que nós conseguiremos encontrar algumas soluções para todas essas questões”, alerta a responsável pela pasta, Maria Eugênia Gracia.