Bairros

Conservação de estradas é prioridade

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 4 min

Proprietários, trabalhadores e moradores são unânimes quando comentam sobre a principal dificuldade que enfrentam no campo: as más condições das estradas rurais.

Embora a atual administração tenha direcionado um pouco mais de atenção para esse problema, recuperando alguns trechos, eles sabem que ainda falta muito a ser feito.

João Batista Dario é criador de gados na região da Água do Paiol e um dos proprietários rurais daquela redondeza que concordou em assinar autorização permitindo que a prefeitura em conjunto com o Estado realizasse obras em um trecho da estrada que passa pela seu sítio.

“Acredito que as terras serão valorizadas, mas seria importante arrumar toda a estrada”, argumenta. Dario também avalia que o trabalho ficou bom, mas diz que tudo poderá ser perdido caso não cascalharem a parte recuperada antes do início das chuvas.

Na estrada da Kirilândia, o gerente da fazenda NP, Peru Hiko Celso Zama, foi outro beneficiado pelas obras. Porém, ele também está cauteloso quanto ao trecho que não recebeu melhorias. “Apenas metade da parte que pertence a Bauru foi arrumada, a outra não pôde ser feita porque alguns proprietários não deixaram”, explica.

Segundo Zama, o ponto mais crítico daquele acesso fica próximo ao córrego Campo Novo e o local estará intransitável quando as chuvas fortes chegarem. “No ano passado, muitas pessoas dessa região perderam suas produções de verdura porque os caminhões não conseguiam sair daqui”, lembra.

No caso do trabalhador rural e morador da região do Rio Verde José Roque Lofrano, a recuperação da estrada Rio Verde vai facilitar o acesso do ônibus que leva o filho dele para escola. “No ano que vem, meu outro filho também começa a estudar e, se a estrada não estiver boa, não tem como os dois irem para a aula”, explica.

O produtor de laranjas Cláudio Campanhã Canelada, proprietário da Fazenda Alvorada, também ficou contente com as obras na estrada do Rio Verde, mas quer mais. “Já melhorou muito, mas seria importante que a reforma se estendesse até a saída para a rodovia Marechal Rondon, próximo ao distrito de Barra Grande”, avalia.

De acordo com Canelada, aquela região tem vários criadores de gado, mas muitos já estão começando a lidar com a agricultura. “É importante que os proprietários se conscientizem da importância de uma estrada em boas condições, pois todos precisarão escoar seus produtos”, alerta, ao lembrar que alguns não permitiram que a estrada fosse alargada. Canelada ainda cobra que o trecho receba cascalho para que o tráfego dos veículos seja mais facilitado.

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Transporte escolar

Há aproximadamente 25 anos, o trabalhador rural Benedito Stcher, 58 anos, vive na região da Água do Paiol. Ele cuida de uma propriedade onde cria e recria gados para venda. Faz um pouco de tudo: toca a boiada, conserta cerca estragada pelos animais, tira leite, entre outras funções típicas de um sítio.

Quando as chuvas começam, suas atenções também se voltam ao filho, Carlos Alberto Stcher, 17 anos, e ao neto, Sérgio Roberto de Oliveira Filho, 12 anos. “Eles cursam escola em Bauru e para chegar até lá os dois pegam o ônibus escolar que vem até aqui buscá-los”, conta.

A partir da rodovia Bauru-Marília, para chegar até o local onde os meninos moram, a condução precisa passar por uma ponte em péssimo estado que divide os municípios de Bauru e Piratininga. Um trecho da parte da estrada que pertence a Bauru foi recuperado, mas a porção do município vizinho fica intransitável nos dias de chuva.

“Quando isso acontece eles têm de faltar, mas quando eles vão para a aula e chove no caminho de volta, são obrigados a vir a pé. Da rodovia até aqui são 5 quilômetros”, comenta.

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Perfil rural

A zona rural de Bauru possui cerca de 55 mil hectares, sendo que 70% de toda a área do município pertence ao setor agrícola. A maior parte deste território é destinada à pastagem, em torno de 45 mil hectares, segundo dados fornecidos pelo presidente do Sindicato Rural da cidade, Maurício Lima Verde.

De acordo ele, a cultura perene (contínua) vem em seguida, com aproximadamente 3 mil hectares, com destaque para o cultivo da laranja, que ocupa 900 hectares. No entanto, a plantação de eucalipto tem crescido muito nos últimos três anos, assim como a de cana-de-açúcar. “Com a tecnologia a serviço do campo, não existem mais indicações agrícolas. Por isso, os produtores procuram cultivar aquilo o que é rentável”, explica.

Um exemplo disso é o café, que está cada vez mais perdendo espaço para outras culturas em razão dos baixos preços pagos pela saca. Segundo o presidente do sindicato, outra atividade que está crescendo é a da ovinocultura (criação de carneiros).

A produção de frutas, como tangerina, limão, manga, acerola, maracujá, manga e, principalmente, o abacaxi, também é preferida pelos produtores rurais bauruenses. Ao todo, elas somam cerca de 1, 2 mil hectares. “O forte mesmo é a pecuária, que infelizmente não emprega tantas pessoas quanto as outras atividades”, lamenta.

Ainda de acordo com Lima Verde, a população rural fixa do município circula em torno de 8.000 pessoas, mas o número de trabalhadores pode chegar até 20 mil durante os meses de maio a setembro, época de colheita do café e da cana-de-açúcar.

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