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Metade das gestantes soropositivas não adere ao tratamento contra HIV

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Embaladas pela esperança de darem à luz bebês saudáveis, quase 100% das mulheres portadoras do vírus HIV de Bauru e região recebem AZT (medicamento usado no tratamento da doença) no momento no parto. No entanto, neste ano, pouco menos de 50% delas fizeram o tratamento, que previne a transmissão ao filho, recomendado durante a gravidez. O percentual segue a tendência nacional, reiterada pelo Ministério da Saúde.

As razões para a não adesão ao tratamento são variadas. Entre elas está o diagnóstico tardio, caso de duas mulheres atendidas na semana passada pelo Centro de Referência de Assistência Especializada para Moléstias Infecciosas, órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde. Ambas foram submetidas ao exame durante a gestação, mas o resultado foi negativo.

Porém, quando o teste foi repetido no momento do parto, o diagnóstico mudou. O susto resultou em reações diversas. A mais nova, de 23 anos, não aceita a possibilidade de ter contraído o vírus HIV. Na dúvida, tomou o AZT, medicamento que afirma dar ao recém-nascido. Mais conformada, a de 28 anos adotou o mesmo procedimento. Para as duas, que têm mais de três filhos e moram na área rural, a saúde das crianças é prioridade.

Graças ao cuidado, os bebês podem ficar livres do vírus. O município não registra há três anos casos positivos da doença em recém-nascidos, informa a chefe do centro de referência, Silvia Regina Donda Forti. “A mãe tem o direito de não querer fazer uso do medicamento. A gente esclarece o máximo que pode. Mas se o bebê não for medicado, podemos cobrar”, explica Silva.

A iniciativa é respaldada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em alguns casos, o Conselho Tutelar pode ser acionado. Mas a proteção à saúde do bebê alcança índices máximos somente quando a mãe se submete ao tratamento desde o início da gestação.

“O ideal é que iniciem o tratamento até a 16.ª semana de gravidez. Algumas mulheres não fazem porque são resistentes ao vírus (e a carga viral é baixa)”, comenta a chefe do centro. No entanto, o estado de saúde dessas mulheres deve ser analisado por um especialista da área, destaca o infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa. Ele recomenda o início do tratamento o quanto antes.

“Ele é útil mesmo tardiamente. Faz a diferença. Se os medicamentos forem adequados, os efeitos colaterais são mínimos (para mãe e bebê). É melhor prevenir. Se o neném se contaminar, terá de ser tratado a vida toda. É uma vida sofrida, uma doença estigmatizante”, conclui o médico.

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