A irregularidade da chuva na região fez a safra 2005-2006 da cana ter uma quebra de até 11%. Os produtores da região deixarão de lucrar R$ 75 milhões.
A safra começou prejudicada. Segundo Élio Pires de Camargo, gerente operacional da Associação do Plantadores de Cana do Médio Tietê (Ascana), a chuva de maio e junho de 2004 fez com que a colheita da safra passada fosse atrasada. Por isso, o plantio da cana para 2005 teve de ser adiantado, o que prejudicou o produto.
O ciclo da cana tem um ano de duração, mas a colheita começou com o vegetal tendo cerca de dez meses. Novamente o clima não colaborou. Em 2005 a chuva foi irregular, com meses abundantes (janeiro e fevereiro) seguidos por um longo período de seca. “O crescimento da cana foi prejudicado”, analisa Élio.
Os produtores que fazem parte da Ascana foram os mais prejudicados. A previsão da associação era de uma queda de no máximo 5% do número de toneladas produzidas. Mas a colheita, que normalmente se encerra no meio de dezembro, vai estar terminada até o final do mês de outubro. Os números ainda não foram fechados, mas segundo as preliminares da Ascana, no total a queda vai girar em 11%. Cerca de 800 mil toneladas, correspondentes a R$ 30 milhões a menos do que foi previsto para a safra 2005-2006.
Já na Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), a quebra foi de 9%. Os produtores que fazem parte da entidade irão colher 1,3 milhão de toneladas a menos do que o previsto, ou seja, vão deixar de lucrar R$ 45 milhões.
Para a safra 2005-2006, a Associcana previa uma colheita de 14,3 milhões de toneladas. A chuva, que atrapalhou o crescimento da planta, reduziu para 13 milhões de toneladas a quantidade de cana que foi para as usinas da região.
“Foi ruim, mas não foi desastroso. Considero o impacto como sendo o de um furacão de média intensidade”, brinca Paulo Brandão, presidente da Associcana. O maior prejuízo, considera Brandão, será o dinheiro que deixará de circular na região. “A maioria dos trabalhadores volta para as cidades deles, então o dinheiro que gastavam no município vai embora mais cedo”, observa.
Na ponta do lápis, o grande prejuízo será para os governos das cidades e do Estado, que deixarão de recolher os impostos referentes aos R$ 75 milhões de cana que não serão colhidos.
As usinas, que chegam a moer 20 mil toneladas de cana ao dia, também vão ter menos receita esse ano. Algumas irão para a moagem durante a semana. Normalmente, o processo se estenderia até dezembro.