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É hora de refletir e de renovar


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No momento em que as notícias vindas do Exterior mostram que a percepção da corrupção no Brasil, nos primeiros anos do governo Lula, piorou, o episódio da contaminação do gado de Mato Grosso do Sul pela febre aftosa se insere, mais uma vez, no quadro de negação da responsabilidade do governo. Foi mais fácil transferir a culpa para os criadores “que deixaram de vacinar o gado”. Ainda bem que os próprios bois e vacas não foram acusados de se esquivar de tomar a vacina.

No índice de percepção da corrupção 2005, cujo relatório foi divulgado em Londres, e que se refere aos três últimos anos, o Brasil caiu da 59.ª para a 62.ª posição, ficando atrás de uma longa lista que inclui países como Belize, Colômbia, Tailândia, Trinidade e Tobago, Cuba, Chile, entre outros. A queda foi pequena, mas mostra um retrato decepcionante dos primeiros três anos do governo Lula, que elegeu o combate à corrupção como uma de suas prioridades. Sem contar que esses dados incluem pouco dos recentes escândalos, já que o estudo começou a ser fechado em junho quando a crise apenas começava a envolver o PT.

Apesar de uma economia internacional favorável, convivemos com a maior taxa de juros do mundo e um dos menores índices de crescimento do universo. As estradas federais são uma tragédia. Quem ainda pode e consegue paga convênio médico, escola particular e segurança, porque, apesar de o Brasil ter a maior carga tributária que se tem notícia, não oferece saúde, educação, transporte e segurança à altura do que a população pode e deve receber. E ainda somos obrigados a ouvir o Delúbio Soares, lembram-se dele, o “laranja” mais famoso do País, dizer que em três anos toda a apuração da CPI será esquecida e vai virar piada de salão.

Na presunção de que venceu a crise, Lula parece caminhar para oficializar sua reeleição, enquanto o PT dá sinais de que se prepara para exacerbar o confronto com a oposição, e espera ter a seu lado os mesmos partidos fisiológicos que o apoiaram da primeira vez.

O calendário eleitoral de 2006 é muito importante, pois os políticos serão colocados cheque. É o momento de renova os quadros do Poder Executivo e do Legislativo e extirpar da política aqueles que negligenciaram seus mandatos e fizeram do bem público a baderna que vemos estampada nos jornais. Precisamos de sangue novo e honesto, não esquecendo daqueles que já ocupam e honram os mandatos delegados pela população e que ainda merecem seu voto de confiança.

O autor, Benjamin Ribeiro da Silva, é diretor do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo e vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares

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