Economia & Negócios

Liminar suspende rodeio na Expo 2005

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

O juiz Mauro Ruiz Daró, titular da 3ª Vara Cível, concedeu na tarde de ontem parecer favorável à ação civil pública protocolada pelo promotor do Meio Ambiente Luiz Eduardo Sciuli de Castro na última quinta-feira, com pedido de liminar para a proibição de rodeios durante a Grand Expo Bauru 2005, que começa amanhã no Recinto Mello Moraes. Também ontem, o governo estadual proibiu, a partir de hoje, a concentração de bovinos e outros animais suscetíveis à febre aftosa em feiras, leilões e rodeios no Estado.

Na antevéspera do início da feira, as notícias foram as piores possíveis para os criadores que investiram muito nos leilões e para os organizadores do evento, que esperavam grande público para o rodeio. Alguns pecuaristas deixarão de ganhar R$ 700 mil com cancelamento dos leilões. “A Justiça está se inclinando a reconhecer que o rodeio estimula os maus-tratos aos animais”, avalia Sciuli. O promotor afirma que está satisfeito com a decisão do juiz. “Agora vamos aguardar os próximos passos.”

A ação foi motivada, segundo ele, pelo não cumprimento das exigências federais sobre os equipamentos que não poderiam ser usados nas provas, como seden e esporas, durante a última edição da Grand Expo. A Associação Rural do Centro Oeste Paulista (Arco), que contesta a acusação do promotor, afirma que no ano passado cumpriu todas as normas federais. Rodrigo Bastos Felippe, membro do departamento jurídico da associação, explica que hoje vai entrar com um agravo de instrumento para suspender a liminar.

“Esse é o remédio jurídico que vamos usar”, explica. Cabe ao Tribunal de Justiça do Estado, em São Paulo, analisar o pedido. “Como se trata de um fato que exige urgência, acredito que a resposta do Tribunal saia em breve”, considera. O advogado acredita que em até três dias o Tribunal se pronuncie.

Orlando Lamônica Júnior, presidente da Arco, afirma estar entristecido com a decisão do juiz. “Estou muito chateado, mas acredito que no Tribunal a probabilidade dessa liminar ser cassada é grande”, afirma.

Leilões suspensos

Além da possibilidade de perder o rodeio, a Grand Expo 2005 não terá nenhum evento relacionado aos bovinos. Os leilões e os julgamentos das raças foram todos suspensos ainda antes do anúncio oficial feito ontem pelo governo estadual. Com a queda do preço da arroba do boi e o receio dos pecuaristas de expor seu rebanho a um possível contágio de aftosa, tanto as leiloeiras quanto os criadores e demais envolvidos resolveram suspender as atividades na feira.

A possibilidade de realizar uma exposição com gado da região foi descartada com o anúncio do governo, que proibiu a partir de hoje e por tempo indeterminado a concentração de animais suscetíveis à febre aftosa. Portanto, não haverá na exposição caprinos e nem ovinos.

A festa ainda contará com todas as provas e eventos referentes aos cavalos. “Mas deixaram de vir cerca de 3 mil animais para a feira”, avalia Lamônica.

Durante a Grand Expo, é realizada uma etapa do ranking nacional de muitas raças. Com a medida da Secretaria Estadual da Agricultura, os organizadores planejam adiar essas etapas para quando o problema da aftosa no Mato Grosso do Sul for resolvido. “Os animais que ganham em Bauru viram referência nacional. Mesmo que façamos no ano que vem, os criadores pediram que a etapa aconteça”, revela Lamônica.

O prejuízo para a Grand Expo pode ser calculado por todo investimento feito na infra-estrutura para receber e manter os animais e também no aluguel do Tattersal, onde seriam realizados os leilões.

Proprietário de uma leiloeira, Edson Toledo Verdó lamenta o cancelamento. “Já tínhamos feito toda a divulgação, agora vamos ter que comunicar a todos o cancelamento”, conta. “Para o pecuarista foi um grande prejuízo. O preço vinha melhorando e eles investiram muito nesse leilão”, afirma Verdó.

Marcelo Lima, que administra a Fazenda Shangri-lá, afirma que estava há dois meses se preparando para o leilão na Grand Expo. “Vamos deixar de receber um bom dinheiro”, lamenta. A primeira parcela da venda das 423 vacas que ele iria negociar durante a feira já estava prevista para a manutenção do pasto e pagamento dos 90 funcionários do lugar. “Vamos manter as fêmeas no pasto e tentar recuperar o prejuízo com a venda de frutas”, explica Lima.

“Cada leilão que eu participo eu me emociono. Essa semana ia ser muito boa, cheia de trabalho, mas agora não temos condições de fazer o leilão”, lamenta o administrador. O sentimento de frustração é compartilhado por Tarcísio Toneto, da Fazenda Alvorada. “Investimos muito em genética e estávamos esperando colher o resultado nesse leilão”, observa. “Fora isso, o prejuízo para a pecuária paulista será enorme”, considera.

Mauro Braga Mello, diretor do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, afirma que a medida do governo foi correta para evitar o surgimento da aftosa no gado paulista. “É melhor prevenir agora do que controlar a doença depois que ela se instalar”, analisa.

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