Polícia

Incêndio destrói fábrica de colchões

Ieda Rodrigues e Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

Uma fábrica de colchões localizada na quadra 6 da avenida Aureliano Cardia, na Vila Cardia, foi destruída ontem à noite por um incêndio cujas chamas chegaram a cerca de 20 metros de altura. Munidos com mangueiras, vizinhos do imóvel e funcionários do Serviço Social do Comércio (Sesc) tentaram combater as labaredas quando perceberam o fogo, por volta das 22h de ontem, enquanto os bombeiros eram acionados.

Trabalho duro, que só terminou por volta da 1h da madrugada de hoje, sem feridos, mas com o estoque de colchões e o prédio destruídos. Quando as primeiras viaturas dos bombeiros chegaram ao local, o incêndio já havia se alastrado pela fábrica, queimando grande quantidade de espuma estocada no prédio. Moradores desesperados, policiais e bombeiros apressados, curiosos amontoados e muito, muito fogo era o que se via.

Os bombeiros e policiais militares passaram a orientar a evacuação dos imóveis vizinhos à fábrica, pois havia risco de explosões. Eles argumentavam que, devido à presença de botijões de gás nas residências e pelo fato da rede elétrica estar ligada, a evacuação era necessária. Mas, mesmo assim, alguns moradores resistiram em sair imediatamente, tentando antes retirar móveis de suas casas. “Moradores de cerca de 300 metros do local do incêndio saíram de suas casas por precaução e curiosidade”, conta Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil, órgão que, inclusive, já adquiriu colchonetes da fábrica.

Por causa da alta temperatura, vidros de janelas de casas e prédios mais próximos à fábrica estilhaçaram e até árvores no interior dos quintais e nas calçadas pegaram fogo. Geladeira, colchões e botijões de gás espalhados pelas calçadas compunham o cenário desolador na rua Piauí, via paralela à avenida Aureliano Cardia.

Com as chamas aumentando, que chegaram a ser avistadas de locais como Bela Vista, Jardim Cruzeiro do Sul e Vila Santa Luzia, os bombeiros acionaram reforços. Ao todo, 11 equipes foram deslocadas para combater o incêndio, trabalho que também teve apoio de equipe dos bombeiros de Botucatu, um caminhão-pipa do Departamento Água e Esgoto (DAE) e de equipes das secretarias municipais de Obras, Meio Ambiente e Planejamento.

A Defesa Civil também acionou a brigada de incêndio da Duratex. “Nós solicitamos e eles enviaram um caminhão-tanque para dar reforço na água e uma equipe”, diz Brito. Mas vizinhos da fábrica questionaram a mobilização dos bombeiros. “Foi mal organizado. Quando cheguei aqui tinham só duas viaturas dos bombeiros. Essa situação poderia ter sido controlada mais rápido e melhor”, desabafou a moradora Cristina Sales.

De acordo com Brito, o helicóptero da Polícia Militar não chegou a participar da operação porque teria dificuldades em atuar à noite. Por volta da 1h, técnicos da Seplan estavam avaliando se os imóveis vizinhos da fábrica tiveram a estrutura afetada. “Os moradores do prédio dos fundos da fábrica, entre 30 a 40 pessoas, iam passar à noite na casa de parentes por precaução”, relatou Brito.

Até o fechamento desta edição, os bombeiros e a Defesa Civil não sabiam como o fogo começou. Nenhum responsável pela empresa também havia sido localizado. Na avaliação preliminar de Brito, toda espuma havia sido queimada e entre 60% e 70% do telhado da fábrica desabou. O JC também, não conseguiu localizar nenhum responsável pela empresa.

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Desconsolo

Isabel Cristina Narciso mora na rua Piauí, quadra 3, em um prédio exatamente atrás da fábrica incendiada. Ela saiu do Sesc às 22h05 e sentiu um cheiro muito forte.

“Era como pneu queimado. Como não sabia o que estava acontecendo e o fogo ainda não era visível, ela entrou em seu apartamento, pegou dinheiro e saiu para comprar refrigerante. Quando voltava, ouviu uma explosão. Seus vizinhos estavam todos na rua, havia policiais e bombeiros.

Ela não pôde pegar nenhum de seus pertences, pois policiais orientavam para que os moradores não entrassem em suas casas temendo por sua segurança. Ela pediu desculpas à reportagem e saiu desconsolada ao ouvir um vizinho chamar por seu nome.

Rafael Tadashi

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