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Cartaz apócrifo compara senador Jorge Bornhausen a Adolf Hitler

Folhapress
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Brasília - Os principais pontos do centro de Brasília amanheceram ontem exibindo cartazes com fotomontagens do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), com uniforme de nazista e com os dizeres: “Vamos acabar com ‘este’ raça. Pretos, pobres e operários nunca mais!”. Debaixo do braço do pefelista, um exemplar da revista “Veja”, numa aparente crítica ao conteúdo editorial da publicação.

Os cartazes provocaram a ira da oposição, que, mesmo sem provas, apontou o dedo para o governo, acusando-o de participação no episódio. Bornhausen disse estar convencido de que, como havia cartazes nas áreas mais movimentadas da cidade, e eram em grande número, não teria sido uma operação isolada de um grupo.

O pefelista é considerado no governo o mais ácido crítico tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do PT. “Isso é que é nazi-fascismo; e foi pago com o dinheiro da corrupção”, disparou o senador, que almoçou ontem com o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), e pediu-lhe uma apuração sobre a distribuição dos cartazes, as origens, a gráfica usada e seus responsáveis.

Apesar da atribuição ao governo e ao PT da responsabilidade pelo ocorrido, não havia pistas até ontem de quem teria sido o real autor. Um dos cartazes foi afixado diante de uma agência do Banco Regional de Brasília (BRB). Como há uma câmera de segurança no local, Bornhausen acha que a polícia poderá chegar aos responsáveis por essa pista.

“A origem vem de dentro do governo”, afirmou o senador José Jorge (PE), líder da bancada do PFL, em um discurso feito em plenário, hoje. “O governo está atacando de forma desrespeitosa a oposição”, continuou. Para ele, a propaganda é “um ataque a um democrata eleito que merece respeito”.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), se solidarizou com o colega pefelista. “O PT ainda tem tempo para fazer isso?”, questionou, já em franco ataque. A frase usada no cartaz - “vamos acabar com essa raça” - foi pronunciada por Bornhausen numa entrevista depois de um evento fora de Brasília, em que ele defendia a derrota do PT e dos petistas nas eleições do próximo ano.

Questionado sobre à acusação do PFL de que estaria por trás da divulgação dos cartazes apócrifos contra Jorge Bornhausen, o Palácio do Planalto não se pronunciou sobre o episódio até o momento. A reportagem apurou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com um misto de satisfação e preocupação ao saber dos cartazes que ligavam o pefelista ao nazismo. Avalia que é ruim politicamente, pois sempre gera mais um atrito com a oposição em meio a clima de guerra já bastante acirrado.

No entanto, acha que foi Bornhausen quem se expôs a um ato desse tipo quando falou que desejava acabar com a “raça” petista. “Não foi ele quem falou em racismo?”, teria dito o presidente, segundo relato de auxiliares.

Nas conversas reservadas, Lula demonstra contrariedade com as críticas de dois pefelistas em particular: Bornhausen e o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia. Para ele, elas ultrapassariam o limite e buscariam criar clima para seu eventual impeachment.

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