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Rocha Mattos diz que Justiça tem fitas de operação abafa do caso Daniel

Folhapress
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Brasília - O juiz federal afastado João Carlos da Rocha Mattos, 57 anos, preso há dois anos, disse ontem à CPI dos Bingos que a Justiça Federal tem cópias de 42 fitas cassetes com gravações ilegais nas quais petistas discutem, segundo ele, meios de abafar as investigações do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, morto em janeiro de 2002.

Mattos afirmou que os diálogos, gravados em escutas telefônicas ilegais feitas pela PF (Polícia Federal), revelam uma suposta operação para abafar casos de corrupção do PT que teriam levado ao assassinato de Celso Daniel. O coordenador da operação abafa foi, segundo Mattos disse a CPI ontem, Gilberto Carvalho, o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época da morte, Carvalho era secretário de Governo de Santo André. “A apuração do caso seria desastrosa, porque mostraria já naquela época corrupção do PT”, disse o juiz.

Mattos foi condenado a três anos de prisão por formação de quadrilha em suposto esquema de venda de decisões judiciais, desmontado em outubro de 2003 na Operação Anaconda da PF. As gravações ocorreram de 24 de janeiro de 2002 ao fim de março daquele ano. O prefeito foi encontrado morto no dia 20 de janeiro de 2002, após ser seqüestrado no dia 18.

Até ontem pensava-se que não havia cópias das gravações. O Ministério Público Estadual de São Paulo, que investiga o assassinato, não sabia das cópias. À CPI, Mattos afirma que não sabe como as cópias chegaram à Justiça Federal. Ele disse que suas cópias, mantidas ilegalmente, foram apreendidas pela PF na Operação Anaconda. A PF sempre negou. As fitas originais foram destruídas a mando de Rocha Mattos em 2003 devido à ilegalidade. A PF pediu autorização para as gravações à Justiça Estadual e informou que grampeariam traficantes de drogas, mas fizeram escutas em telefones de petistas, incluindo no de Carvalho.

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