Brasília - O desaparecimento de arquivos e documentos do processo de cassação do deputado José Dirceu (PT-SP), que estavam gravados no computador do seu relator, Júlio Delgado (PSB-MG), levou ontem a Câmara dos Deputados a investigar uma suspeita de sabotagem. No final da tarde, no entanto, uma primeira conclusão da perícia no aparelho descartou a possibilidade de uma “ação externa” promovida por um hacker. A hipótese mais provável para o sumiço dos arquivos é “ação acidental dentro do próprio gabinete”, segundo nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Câmara.
A ação de um vírus também é cogitada. Delgado soou o alarme de manhã. Chamou a imprensa para denunciar um “fato estranho e lamentável”: 15 pastas de arquivos tinham simplesmente desaparecido do computador de seu gabinete.
Entre os documentos perdidos, a agenda de telefones do gabinete, o relatórios de emendas orçamentárias, pedidos de audiência com ministros e, mais importante, todo o material usado para elaboração do parecer que pediu a cassação de Dirceu, na semana passada. Vários textos que comprovariam privilégios concedidos ao filho do ex-ministro, Zeca Dirceu, prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR), pela Casa Civil, estavam entre os documentos perdidos. “É estranho isso ter ocorrido agora. Quero saber se isso costuma acontecer aqui na Câmara ou se foi só comigo”, declarou Delgado, sem dizer explicitamente se suspeitava de sabotagem. Ele disse que não haverá prejuízo ao processo porque o parecer já foi entregue ao Conselho de Ética.
O relator foi ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que determinou a realização de uma perícia à direção geral da Casa. No final da tarde, saiu um relatório. “Não houve ação de hackers ou qualquer ação externa direcionada a arquivos”, disse Luiz Antonio da Eira, diretor do departamento de informática.
A possibilidade de alguém ter entrado no gabinete de Delgado e apagado os arquivos não foi descartada, mas o próprio relator disse não acreditar nisso. Até as 17h de ontem, cerca de 30% dos arquivos tinham sido recuperados pelo setor de informática.
Hoje deve ser lido o parecer do processo contra Romeu Queiroz (PTB-MG) no Conselho de Ética, mas um provável pedido de vista deve jogar a votação para a semana que vem. Na quinta deve ser votado o parecer de Delgado contra Dirceu.
Hackers
O diretor do Cenin (Centro de Informática da Câmara dos Deputados), Luiz Antonio da Eira, afirmou ontem que está descartada a hipótese de uma “ação externa” no apagamento de arquivos do computador do deputado Júlio Delgado (PSB-MG). As informações são da Agência Câmara.
O Cenin trabalha com duas hipóteses para o apagamento: a ação de um vírus ou uma ação acidental no gabinete do próprio parlamentar, responsável pelo relatório que pede a cassação do deputado José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética.
De acordo com Eira, “não houve ação de hackers ou qualquer ação externa direcionada a arquivos relativos ao Conselho de Ética”. Delgado contou que anteontem à tarde recebeu a notícia da perda de 15 arquivos armazenados no principal computador de seu gabinete.
Os arquivos continham, além de projetos de lei e da agenda telefônica do parlamentar, as informações utilizadas na preparação de seu parecer contra Dirceu. Segundo ele, o apagamento dos arquivos teve prejuízo “zero” para o andamento do processo. O parlamentar entrou em contato com a presidência da Casa, que acionou o Cenin. O relatório do deputado deve ser votado nesta quinta-feira. Segundo informações do Centro, os arquivos desaparecidos estavam contidos em pastas que podiam ser acessadas nas outras duas máquinas do gabinete.
Os técnicos do Cenin tinham recuperado, até as 17h, cerca de 30% dos dados perdidos. De acordo com Eira, uma empresa pode ser contratada caso os técnicos da Casa não consigam recuperar a totalidade das informações.