Política

Para Pohren, crise não afeta a ECT

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O presidente nacional da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), Jânio Pohren, disse ontem, em Bauru, que a estatal sofre prejuízos menores com a crise política e a citação de sua marca no universo da apuração de denúncias de corrupção em Brasília (DF).

Para Pohren, que participou de reunião com a direção regional dos Correios São Paulo Interior, ontem, na cidade, a população faz diferenciação entre a crise política exposta na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), em andamento no Congresso Nacional, e os serviços diários realizados nas ruas.

Em sua visita ao Interior do Estado, o presidente da ECT apresentou o selo de Natal deste ano. A data é comemorada com distinção institucional pela empresa, todos os anos, com o lançamento de um selo postal diferenciado. Desta vez, foi escolhida a imagem do sino em alusão aos festejos natalinos. Serão impressos, através da Casa da Moeda do Brasil, três milhões de selos do gênero até o final do ano.

Leia, a seguir, a entrevista concedida pelo presidente da ECT, no aeroporto local, momentos antes do embarque de volta a Brasília (DF).

Jornal da Cidade - Qual é a estratégia da estatal na disputa do setor de encomendas, segmento que sofre ataque da área privada?

Jânio Pohren - Na verdade, hoje nós temos a absoluta liderança no que diz respeito ao mercado de encomendas de até 30 quilos, especialmente no segmento expresso, isso por conta da qualidade e da marca que a empresa tem hoje. Não há dúvidas de que o Sedex é uma marca de eficiência quando se fala em serviço expresso no Brasil. Aliás, é um caso de sucesso, inclusive em nível mundial.

JC - Até que ponto a imagem da ECT é ferida com a criação da CPI dos Correios e as denúncias sobre corrupção?

Pohren - Tivemos de fato uma grande preocupação no início e estamos trabalhando no sentido de manter essa imagem e o que nós percebemos é que a população consegue diferenciar o que é a empresa, o que é o trabalho prestado pela empresa, do que é um fato isolado que aconteceu. De fato, então nós tivemos um prejuízo muito pequeno em termos de imagem exatamente porque a empresa tem esse reconhecimento pelos seus serviços, porque essa imagem que foi criada pela empresa é uma imagem criada com base na qualidade e na eficiência de seu serviço e essa eficiência está sendo inclusive aprimorada e a população reconhece isso.

JC - É correta a declaração do ex-deputado Roberto Jefferson de que o PT loteou cargos a partir do segundo escalão nos Correios?

Pohren - Existe uma indicação política para diversos cargos e na verdade isso houve em governos anteriores. Mas o importante é que agora se busque esclarecer tudo, como está sendo feito pelos órgãos de controle, pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e que se adote uma estratégia tanto em termos de governo como no que diz respeito à ação dentro da empresa que busque preservar os interesses da organização e que busque que a empresa continue prestando serviços de qualidade e que continue garantindo a universalização do serviço postal. Esse é o nosso compromisso e é assim que a diretoria dos Correios tem trabalhado com o apoio e a orientação do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que tem de fato dado integral apoio a todas às ações no sentido de que a empresa passe por este momento e saia mais forte da crise que estamos hoje.

JC - Como os Correios vêm discutindo a disputa com a iniciativa privada, inclusive judicial, para o serviço de leitura de contas de consumo de água?

Pohren - Nós já prestamos esse serviço em outros estados e de fato, pela característica desse serviço, existem essas operações integradas em relação à leitura, impressão e distribuição das contas de consumo de água e como a distribuição dessas contas é monopólio, evidentemente o entendimento da empresa é que isso deve ser feito de maneira integrada, como acontece em outros estados e como é o caso aqui de Bauru. Nós estamos apresentando esse entendimento ao Tribunal Regional Federal (TRF) e aguardando posicionamento para que a empresa possa adotar as providências necessárias.

JC - A discussão do serviço levantou polêmica sobre o preço adotado pelos Correios para a entrega das faturas (R$ 0,85 na tabela). O setor privado mostra que faz mais barato. Não é elevado o serviço de entrega, em função do monopólio?

Pohren - Na verdade, a estrutura de custos dos Correios é onde se considerada toda a infra-estrutura que a ECT tem para prestar os serviços com o nível de qualidade que presta. Evidentemente que existe uma diferenciação em relação ao serviço prestado pela empresa com as que estão no mercado. O que nós temos como o grande diferencial é a qualidade reconhecida, a forma como a empresa presta, buscando adotar todas as providências para a garantia do cumprimento dos compromissos assumidos. A estruturação dos preços leva em conta essa estrutura da ECT que é diferente de quem está no mercado.

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