A possibilidade da gripe aviária atravessar o planeta e chegar ao País tornou-se uma preocupação “doméstica”. A exemplo de outras cidades brasileiras, em Bauru, a demanda pelo medicamento indicado para combater a doença aumentou na última semana. Embora não disponham do remédio, três redes farmacêuticas consultadas pelo JC confirmam a procura pelo Tamiflu (oseltamivir). Mas especialista alerta para o consumo do remédio sem indicação médica.
A cartela com dez comprimidos seria vendida no varejo pelo custo médio de R$ 145,00. No entanto, o governo federal, especialistas e até a farmacêutica Roche, fabricante do antiviral, destacam a inexistência de surto de gripe em território nacional que justifique a procura imediata do produto.
“Tenho três filhos. Por enquanto, não comprei, nem fui atrás. Não há nada que indique a necessidade, embora eu possa mudar de opinião amanhã”, diz o médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa. De acordo com ele, o medicamento deve ser utilizado com critério, sob o risco do vírus tornar-se resistente. O Tamiflu é indicado para tratamento do vírus da gripe.
“No Brasil, chamamos de gripe qualquer infecção das vias respiratórias, quando na verdade ela é provocada pela Influenza. O H5N1 é um tipo de Influenza. O medicamento tem ativo contra o vírus. O governo está providenciando (a compra do remédio)”, explica Pesce. No entanto, de acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, as negociações com a Roche ainda estão em andamento. Quando o “martelo for batido” nove milhões de tratamento devem ser adquiridos.
A compra ainda não tem data para ser efetivada. Segundo o Ministério da Saúde, algumas razões justificam a ausência de prazo. Uma delas é que a Organização Mundial de Saúde (OMS) priorizará países sem recursos e considerados potenciais propagadores da gripe aviária, além daqueles que já notificaram a doença. Os casos estão restritos à Ásia e Europa Oriental. Além disso, para o governo federal é improvável que a doença chegue ao Brasil pelas aves migratórias, cuja rota não inclui o País.
Soma-se aos argumentos, o fato de aproximadamente 85% da produção brasileira de aves ser feita em aviários fechados, o que impediria a contaminação por espécies selvagens. Além disso, conforme o JC publicou, ontem, laboratórios como o Instituto Butatan estão se preparando para produzir, em caráter experimental, a primeira vacina da América Latina contra a gripe aviária.
Mesmo assim, o governo federal criou um grupo interministerial permanente de controle preventivo da influenza aviária, reiterou a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A proposta é aumentar a fiscalização para evitar a “importação do vírus”, que atinge aves mas pode afetar humanos por causa de mutações.