Regional

Granjas da região reforçam vigilância

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A incidência de gripe aviária em países da Ásia e Europa está levando os granjeiros do Estado de São Paulo a reforçarem a vigilância sobre a criação de frangos.

Desde 2003, o setor produtivo brasileiro tem investido na bioseguridade - nome dado às barreiras que são colocadas ao redor das granjas para impedir a entrada de pessoas, equipamentos e materiais que possam contaminar as aves.

Caso essa entrada seja necessária, as granjas têm de estar preparadas para pôr em prática um processo de desinfecção do “corpo estranho”.

Esse cuidado está sendo tomado pelo granjeiro Sinival Jordão, que trabalha há 10 anos com frango. Ele possui um plantel de aproximadamente 450 mil aves, divididas em granjas de cinco cidades da região: Arealva, Ibitinga, Itápolis, Itaju e Boracéia.

Embora assustado com as notícias sobre a disseminação da gripe aviária na Ásia, onde já morreram mais de 60 pessoas por causa da doença (veja quadro acima), Jordão acredita que o Brasil está bem preparado para enfrentar o problema, caso ele desembarque por aqui.

A mesma opinião é compartilhada pelo médico veterinário Fernando Gomes Buchala, coordenador do programa de sanidade avícola, da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.

“Hoje, nós temos um grupo de atendimento de emergência sanitária, que estão sendo treinados para a gripe aviária. Se ocorrer qualquer suspeita ou ocorrência (da doença), o bloqueio poderá ser feito rapidamente, evitando assim que a doença se espalhe por uma área maior”, afirma Buchala.

Ele contou que foram colhidas 30 mil amostras de frango em todo o Estado e os exames laboratoriais não detectaram a presença do vírus influenza (causador da gripe).

Com isso, a carne de frango produzida em São Paulo ganhou reconhecimento nacional e os dados foram encaminhados pelo Ministério da Agricultura para a Organização Internacional de Epizooties - instituição consultiva da Organização Mundial do Comércio (OMC), que cuida da saúde animal em todo o mundo.

Segundo Buchala, a preocupação em manter as granjas paulistas longe das doenças ganhou intensidade a partir de 2003, quando o Brasil tornou-se o maior exportador da carne de frango. “Por exigência do mercado internacional, nós já vínhamos trabalhando nisso (reforço na vigilância sanitária).”

Foram contratados médicos veterinários e técnicos agrícolas para orientar os granjeiros a cuidar da produção. “Colocamos esse pessoal todo no campo. Hoje, se houver qualquer suspeita no Estado, nós vamos ser notificados imediatamente”, aposta Buchala.

Uma vez detectada, não há cura para a doença. As aves precisam ser abatidas. A principal característica da gripe aviária é o aumento da mortalidade dos frangos na granja.

“Assim que a mortalidade ficar acima dos índices normais, é importante que o produtor comunique o fato para que possa ser feito um diagnóstico mais preciso do problema”, orienta o coordenador.

Só no Estado de São Paulo, existem 4.446 estabelecimentos avícolas, o que inclui granjas e encubatórios. A capacidade de alojamento é de 172 milhões de aves.

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