A região do Alto Xingu, no Mato Grosso, é cercada de rios que trazem ao pescador a possibilidade de abusar das modalidades de pesca. O encontro dos rios Sete de Setembro e Kuluene, no Pontal, forma o rio Xingu, que depois atravessa a reserva Indígena do Xingu.
O Rancho Xingu fica às margens do rio Kuluene, que possui várias praias, onde até é possível fazer um mergulho. Já o rio Sete de Setembro tem outras características. Com sua margem mas larga, esconde vários lagos.
Os rios oferecem centenas de pontos de pesca, onde é possível capturar desde bicudas e cachorras, bastante esportivas, como os peixes de couro, como a cachara e a pirarara.
Antão Shinobu Ikegami é de Parintins (AM), mas viveu muito tempo no Pará. Conhecedor da natureza, o pescador foi decidido a pegar uma piraíba, considerado o maior peixe de couro de água doce, podendo ultrapassar 150 quilos. “Quase todos os dias eu fui atrás do bichão. Cheguei a travar uma grande briga, que na minha opinião poderia ser uma piraíba, pois a força era impressionante, chegou a arrastar o barco”, recorda-se Antão.
Ele estava apoitado no poção da Saionara, no rio Xingu, com um molinete pesado, linha 80 e caniço para 50 quilos. “Usei de isca um piau inteiro, até fiquei de joelhos para tentar segurar o bicho, realmente diferente. Mas ele arrebentou a linha. Eu queria brigar mais, ver a cara do peixe, mas não tive a oportunidade.” Em seu olhar, poderia ser uma outra espécie, como o jaú ou pirara, mas certamente um exemplar muito grande.
Seu companheiro de pesca Celso Couto Junior há quatro anos freqüenta a região e sempre se surpreende. “Não resisti em conferir a pirarara de mais de 30 quilos que um índio pescou e mostrou para nós no rancho”, recorda.
Nesta viagem, Couto contou com o sobrinho Guilherme Couto Cavalheiro, que nunca havia pescado na região. “Eu só pescava no rio Paraíba, peixinhos que aqui é isca”, brinca. Nos rios Kuluene e Sete de Setembro, Cavalheiro pegou várias espécies, mas prevaleceu o meio ambiente. “Gosto muito de água, a natureza intensa, fiquei encantado. Além do conforto, com o piloteiro cuidando de tudo para nós”, diz. Já o amigo Joaquim Lopes é direto: “Gosto da pescaria, mas o que me encantou foi a diversidade da fauna”.
Outro local que tem encantado os visitantes é o rio Coronel Vanick, afluente do rio Sete de Setembro. Distante de barco duas horas do Rancho Xingu, em motor 15 HP, o Vanick se destaca por ser um rio de corredeira, mais estreito, com águas mais claras.
“Lá a corredeira é violenta, com fundo de pedras, um rio lindo, mas perigoso. É preciso ir com um caboclo que conhece a região”, recomenda o pescador Cezar Elias. Porém, ele acrescenta que o ambiente é ideal para a pesca esportiva, inclusive de fly. “Lá tem muita matrinxã, um peixe forte, de corredeira, mas difícil de capturar”, avalia Elias.