Arealva - Demorou seis meses, mas voltou a acontecer. A falta de energia tornou-se um problema crônico em Arealva (41 quilômetros de Bauru). Entre ontem e anteontem, a rede elétrica desligou cinco vezes. No entanto, os prejuízos desta vez parecem ter sido menores. Em abril deste ano, uma queda de energia matou 6,8 mil frangos. O prejuízo foi calculado em mais de R$ 20 mil.
Programado ou não, o constante desligamento da rede elétrica está irritando os moradores, que já não se mostram mais satisfeitos com as eventuais indenizações que são pagas pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) na tentativa de reparar os prejuízos causados aos consumidores.
“Precisamos dar um basta nisso”, desabafou José Ulisses Furlaneto, dono do supermercado Santa Catarina. Ele contou que recentemente teve de comprar um motor novo para a geladeira onde guarda carne.
Por causa das freqüentes oscilações no fornecimento de energia, o motor queimou e teve de ser substituído. De acordo com o empresário, foram gastos cerca de R$ 800,00 com a peça nova e a mão-de-obra.
Furlaneto pagou toda a despesa com dinheiro do próprio bolso. “Se isso (falta de energia) acontece uma vez ou outra, a gente até aceita. Mas tá direto”, reclama.
Além do prejuízo financeiro, ele lembra que sem energia todo o funcionamento do supermercado também fica prejudicado, o que torna o atendimento mais lento.
O preço dos produtos deixa de ser registrado eletronicamente e, com isso, obriga o estabelecimento a lançar mão de uma “tecnologia” há muito superada: anotar as vendas em uma máquina de somar manual.
Márcia Helena Bonfim Trabuco, do mercado Primavera, disse que ainda não teve prejuízos com a falta de energia, mas precisa tomar alguns cuidados. Por exemplo, é preciso evitar que os freezers e as geladeiras sejam abertos constantemente. Se isso ocorrer, os produtos podem descongelar e estragar.
A mesma preocupação tem o comerciante Claudinei Fortunato, dono de uma sorveteria. Na dependência total da energia para manter seu produto em condições de consumo, ele conta que já chegou a entrar em contato com a CPFL para reclamar, mas as quedas no fornecimento continuaram.
Sem energia, Fortunato conta que o sorvete agüenta até quatro horas, sem derreter. Mas é preciso evitar o abre e fecha do freezer. Se derreter, o sorvete quando volta a congelar cria uma casca de gelo e perde um pouco a qualidade.
Eduardo Sardinha, dono de uma granja com 30 mil pintos, disse que teve sorte. Mas se o “apagão” voltar a acontecer quando as aves estiverem adultas, com certeza, não terá a mesma sorte.
Na fase adulta, os frangos apresentam uma mortalidade muito maior. Duas horas sem ventilador ou nebulização na granja é tempo suficiente para matar uma boa parte.
Foi o que ocorreu em abril deste ano. Naquela ocasião, a CPFL desligou a energia para manutenção da rede e durante o trabalho descobriu a necessidade de outros reparos. Com isso, a cidade ficou 9 horas sem força. Resultado: cerca de 6.820 frangos prontos para o abate morreram devido ao calor de 40º, aproximadamente, dentro dos galpões.
As aves de Fortunato têm apenas 22 dias de vida e foram poupadas desta vez. Ele frisa que não criava frangos no “apagão” de abril. Portanto, não estava entre os granjeiros que foram prejudicados.
Além da ventilação e nebulização dos galpões, a energia serve para levar água e ração às aves. Na maior parte das granjas, tudo isso mecanizado.
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A culpa foi da chuva
A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) informou ontem que a interrupção no fornecimento de energia na cidade de Arealva foi provocada pela queda de um poste no distrito de Jacuba.
Um raio teria derrubado o poste e causado o blecaute em todo o município. Choveu forte ontem na região e isso teria dificultado o acesso dos funcionários da empresa à zona rural, na tentativa de descobrir onde estava o problema.
Segundo informou a assessoria de imprensa, quando ocorre uma queda repentina, os funcionários percorrem toda a rede para identificar o motivo da falta de energia. O causa só foi descoberta por volta das 3h de ontem. Imediatamente, aquele trecho da rede foi isolado e todo o resto da cidade voltou a receber energia.
A empresa teria entrado em contato com os poucos consumidores que possuem rede particular e pediu que eles não utilizassem essa rede até ontem de manhã, quando seria feita a troca do poste.
No entanto, segundo a CPFL, um desses consumidores, do distrito de Jacuba, não teria esperado e ligou a chave de sua propriedade por volta das 6h30. Isso teria provocado nova queda de energia e obrigou os funcionários da empresa a percorrer novamente toda a rede atrás do problema.
A substituição do poste foi concluída às 11h30, quando o fornecimento de energia voltou ao normal na cidade e no distrito.
Em caso de prejuízo aos consumidores por causa da queda de energia, a CPFL tem um programa de indenização. Cada caso é analisado individualmente. Um perito vai até o local e se for comprovada a relação do dano com a falta de energia, a vítima é indenizada. O contato pode ser feito pelo telefone 0800-0101010.