Nacional

PT defende cassação de Azeredo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Em sua primeira reunião após a eleição interna, a Executiva Nacional do PT decidiu ontem defender publicamente abertura de investigação no Conselho de Ética do Senado sobre o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo (MG).

Mas, antes de entrar com qualquer representação pedindo a cassação do senador tucano, submeterá o assunto à bancada petista na Casa. Na prática, a nova direção petista manteve sua ofensiva contra a oposição, mas deixou em aberto o ataque direto a Azeredo pelo fato de não haver, ainda, consenso entre os senadores sobre a medida.

Integrantes da Executiva ligados à ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT), que disputa com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) a vaga de candidato ao governo do Estado nas eleições do ano que vem, chegaram a defender que o partido entrasse direto com a representação no Conselho de Ética contra o ex-presidente tucano.

Mas acabaram vencidos internamente pelo grudo do presidente do PT, Ricardo Berzoini. “Se houver cassação na Câmara, tem de haver no Senado”, disse Berzoini, após a reunião da Executiva em São Paulo. “Mas vamos discutir a necessidade da representação com os senadores (do partido). Não se trata de um revide (a ameaça de pedir a cassação de Azeredo), mas de uma disputa política.

O clima já está acirrado pela ação da oposição”, afirmou o dirigente, ao ser questionado sobre a batalha que vem sendo travada com tucanos e pefelistas. Ex-secretário da administração Marta, o 3º vice-presidente do PT, Jilmar Tatto, disse que seu partido não irá aceitar “a chantagem política do PSDB e do PFL”. Tatto foi um dos que defenderam que a legenda entrasse, já, com a representação contra Azeredo.

“Não há clima para decidir pela cassação. Há muitas divergências dentro e fora do PT. É preciso construir posições”, afirmou Marlene da Rocha, integrante da Executiva petista. Os integrantes do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também voltaram a criticar a atuação do PSDB e do PFL nas CPIs do Congresso.

Em nota divulgada ontem à tarde, o partido afirma que as investigações não podem se transformar em “manipulação política” por parte da oposição. Na entrevista após a reunião, Berzoini negou que o PT esteja sendo ameaçado pelo seu ex-tesoureiro Delúbio Soares e pelo publicitário Marcos Valério de Souza. Ontem, a “Folha de S.Paulo” revelou que Delúbio quer que o partido pague seus advogados e que Valério quer receber pelo menos parte da dívida de R$ 55 milhões dos petistas.

Com isso, evitariam fazer novas revelações que agravariam a crise política. “Se o partido aceitasse esse tipo de chantagem, estaria inviabilizado”, disse Berzoini.

Comentários

Comentários